Por Denise Mello

Após muito pedidos de ouvintes, o radialista e deputado estadual Luiz Carlos Martins convidou o dr. João Caetano Marchesini para falar na Rádio Banda B sobre a cirurgia que fez há 30 dias para combater a diabetes. Neste período após a intervenção, Martins já emagreceu 13 quilos e seu índice de glicemia, que alcançava até 250 miligramas de açúcar por decilitro de sangue, hoje é de 115 miligramas por decilitro. Segundo o dr. Marquesini, em até seis meses, este índice deve atingir a normalidade de 90 mg/ dL.

Segundo o médico, a cirurgia bariátrica a que Martins se submeteu apresenta uma influência direta do intestino sobre o funcionamento do pâncreas e da melhora ou “cura” da diabetes. “Há muitos anos que se faz cirurgia bariátrica no mundo, mas, de uns tempos para cá, descobriu-se que a cirurgia usada apenas para a obesidade, apresentava um efeito muito grande sobre os portadores de diabetes, antes mesmo de emagrecerem. Os estudos mostraram que a cirurgia muda a forma que a comida passa pelo estômago e intestino. Alterando este caminho, consegue-se a produção de hormônios com efeito direto no pâncreas, o que resolve a diabetes”, explicou o médico.

O dr. Marquesini disse ainda que o sucesso da cirurgia depende de uma série de fatores. “No seu caso Luiz, fizemos uma redução do estômago e mexemos também no intestino, usando grampos. Foi necessário mexer no estômago para isolar uma parte que produz hormônios que prejudicam o pâncreas. Além da perda de peso, pesquisas mostram alterações importantes na pressão alta, colesterol e, claro, no índice de glicemia”.

Mas o médico esclareceu que nem todas as pessoas que têm diabetes se beneficia com a cirurgia. “Esta cirurgia não funciona para quem tem diabetes tipo 1, só para o tipo 2, que é o seu caso Luiz. Você tem uma reserva de insulina no pâncreas. Já para quem tem a diabetes tipo 1, desde a infância, já há uma completa falência do órgão e não adiantaria produzir hormônios com o desvio da cirurgia”, explicou.

Exames

Na entrevista, o dr. Marquesini ressaltou a importância das pessoas terem um diagnóstico preciso sobre a doença. “Metade da população que tem diabetes, não sabe disso. Isso é muito preocupante. Por isso, é importante que todos façam o exame simples de glicemia em jejum com freqüência. A prevenção altera completamente a evolução da doença”.

Outro ponto que o médico chamou a atenção é com relação ao tempo da doença: o tempo que a pessoa sofre com diabetes. “Se a pessoa já usa a insulina há 10, 15, 20 anos, as chances de sucesso na cirurgia vão diminuindo porque o pâncreas já está bastante desgastado. Só exames precisos poderão apontar o índice de sucesso. Digo índice porque não é possível dar 100% de garantia para ninguém em um procedimento como esse”.

Martins contou que está se sentido muito bem. Ele ficou 15 dias apenas com dieta líquida e outros 15 dias de dieta pastosa. Agora está introduzindo alimentos sólidos de forma gradual. “Estou me sentido bem. No começo não foi fácil, mas agora não uso mais insulina e isso é uma benção”, contou o radialista.

O médico recomenda exercícios físicos e acredita que Luiz Carlos Martins vai emagrecer mais 7 quilos nos próximos meses. “É importante que você faça exercícios aeróbicos e de musculação. Os músculos são grandes consumidores de glicose. Se você fica barato acaba com este grande mecanismo no seu corpo. E o aeróbico é importante para o coração”, revela.

Por fim, dr. Marquesini informou que o paciente é acompanhado por uma equipe interdisciplinar e que é importante voltar sempre ao médico. “Tão importante quanto a cirurgia é o acompanhamento pós a intervenção”.

Segundo ele, a cirurgia é coberta pelo SUS e os planos são obrigados a cobrir os custos, dentro dos padrões exigidos, de acordo com regulamentação da Agência Nacional de Saúde.

Mais informações, no site do dr. Marquesini – www.gastronet.com.br

O que é diabete?

É uma doença metabólica. A diabete tipo 1 é causada pela deficiência na produção do hormônio insulina pelo fígado. A do tipo 2, responsável por cerca de 90% dos casos, implica também em uma resistência do corpo à ação do hormônio – a pré-diabete é sempre do tipo 2. A insulina é responsável pela entrada da glicose nas células e sua transformação em energia. Como os diabéticos têm uma deficiência com relação a isso, a glicose fica acumulada no sangue. Se a doença não for tratada, ela pode obstruir pequenas e grande artérias, causando diversos outros problemas.

Sou pré-diabético?

Se uma pessoa fizer um exame de sangue normal e o resultado indicar glicemia em jejum entre 100 e 125 miligramas de açúcar por decilitro de sangue, isso pode indicar pré-diabetes. Para confirmar, o médico deve pedir um exame de carga glicêmica. O exame consiste em tomar um xarope feito com 75g de açúcar dissolvidos em 300 ml de água. Duas horas depois, mede-se a taxa de açúcar no sangue do paciente. Se ela estiver entre 140 e 200 mg por decilitro de sangue, está confirmada a pré-diabete.
Se o número for maior, ele é considerado diabético e, se for menor, está nos índices de normalidade. A pré-diabete só existe no tipo 2 da doença, que é a mais comum e responsável por 90% dos casos.