Por Felipe Ribeiro

Gestação dos gêmeos continuou por 123 dias após confirmação da morte cerebral (Reprodução Facebook)

O nascimento dos pequenos irmãos Ana Vitória e Azaphi comoveu a região metropolitana de Curitiba nesta quarta-feira (22). Foram quatro meses de luta de uma família e da equipe do Hospital Nossa Senhora do Rocio, em Campo Largo, assim que foi confirmada a morte cerebral da mãe, Frankielen da Silva Zampoli, de 21 anos. Em entrevista ao radialista Geovane Barreiro, o clínico geral Dalton Rivabem contou os bastidores do período de gestação e confessou que por alguns momentos nem mesmo eles acreditaram que os bebês poderiam sobreviver.

Segundo o médico, Frankielen chegou ao hospital no dia 17 de outubro do ano passado, com um quadro de hemorragia intracerebral e já com demonstrações de que a recuperação seria irreversível. Três dias depois, houve a confirmação da morte cerebral, o que iniciou o desafio de manter a gestação dos gêmeos. “A gestação era muito inicial, de apenas nove semanas, e qualquer intercorrência no organismo poderia provocar espontaneamente o aborto. Então, desde o início, foi dado todo o suporte necessário com o intuito de favorecer o crescimento do feto. Foram 123 dias de uma luta diária e bastante difícil, na qual passamos por várias dificuldades”, revelou Rivabem durante o Jornal da Banda B.

Frankielen morreu aos 21 anos

A decisão de manter Frankielen viva para salvar os bebês partiu dos médicos e foi apoiada pela família, que passou a auxiliar no processo de afeto, com carícias e conversas com o bebê. A função principal coube ao pai das crianças, Muriel Padilha. Ele e Frankielen já tinham uma filha de dois anos.

Ao longo dos meses, o trabalho foi difícil e Rivabem confessou que houve momentos em que até a equipe médica não acreditou que os pequenos pudessem sobreviver. “Houve um momento que não tínhamos esperança de que a gestação ia continuar, mas graças aos esforços e a competência da equipe, conseguimos manter todo o suporte básico para o crescimento, que culminou no nascimento durante a última segunda-feira. É um caso diferente, especial e que motivou toda a equipe, mexendo com a emoção de todos nós”, comentou.

O nascimento aconteceu 15 dias antes do esperado pelos médicos, mas uma queda de pressão motivou a cesárea. Ana Vitória nasceu com um 1,4 kg e o irmão Azaphi com 1,3 kg. Ambos estão na área de UTI neonatal do hospital.

Caso inédito

Rivabem contou à Banda B que este caso é inédito e pode ser o de maior período de sobrevivência de um bebê. No ano passado, uma pequena nasceu após 44 dias da morte cerebral da mãe, no estado do Espírito Santo. Em Portugal, também no ano passado, um bebê nasceu após 107 dias. “Eu mantive contato semanal com esse médico de Portugal e ele nos ajudou muito, com todo o manejo possível. Então foi de grande ajuda”, concluiu.

A família de Frankielen já autorizou a doação de órgãos da jovem, o que ainda pode ajudar outras pessoas na luta pela vida. O corpo da jovem foi liberado do hospital na madrugada desta quarta. O velório e o enterro acontecem em Contenda, origem da família.

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