O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Marcus Vinicius Michelotto, informou nesta quarta-feira (20/02) que a médica Virgínia Helena Soares de Souza vai responder por homicídio qualificado, quando há a intenção de matar. Chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, em Curitiba, a médica foi presa por suspeita de ser responsável por mortes de pacientes terminais, segundo investigação do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa).

“O que nós investigamos aqui é a questão de assassinatos. Ela está sendo investigada por isso”, disse Michelotto. “Nós fizemos a nossa parte e vamos aguardar a decisão da justiça”, afirmou. Ele explicou que as investigações começaram há um ano, quando a médica assumiu a chefia do setor de UTI, e que o Departamento da Polícia Civil está obedecendo a limitações do sigilo decretado judicialmente nos autos.

A delegada titular do Nucrisa, Paula Brisola, informou que as medidas adotadas estão respaldadas em lei e que serão tomadas todas as providências necessárias visando a segurança e saúde da população. Segundo Paula, todas as pessoas que tiveram relação com o fato e que trabalham na UTI do hospital durante o período em que a médica presa esteve à frente do setor serão investigadas. Ela disse que pessoas que têm informações sobre o caso, e que possam nos ajudar, que entrem em contato com o Nucrisa pelo telefone (41) 3883-7120 ou pelo e-mail [email protected]

A delegada explica que a investigação foi iniciada a partir de denúncias. “A médica teve a prisão temporária de 30 dias decretada para que possamos colher mais informações”, disse. As investigações ocorrem em sigilo e, por isso, não é possível divulgar maiores detalhes.

O delegado titular da Divisão de Polícia Especializada (DPE), Marco Antonio Lagana, disse que a investigação surgiu na Ouvidoria Geral do Estado, quando o ouvidor era o atual secretário de Estado da Segurança Pública, Cid Vasques.

Vasques encaminhou o processo ao procurador de Justiça Marco Antonio Teixeira, coordenador do Centro de Apoio da Saúde Pública do Ministério Público do Paraná, que pediu a investigação ao Nucrisa.

SINDICÂNCIA – A Secretaria de Estado da Saúde participará da comissão de sindicância que vai investigar irregularidades na UTI do Hospital Evangélico. A comissão da saúde trabalhará paralelamente à investigação policial.

A sindicância será feita em conjunto pela Prefeitura Municipal de Curitiba e o Conselho Regional de Medicina. A medida foi tomada em conjunto com a direção do hospital para apurar irregularidades e garantir a continuidade do atendimento.