A justiça concedeu durante a tarde desta quarta-feira (20) a liberdade da Doutora Virgina Helena Soares de Souza, ex-chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, acusada pelo Ministério Público do Paraná por sete homicídios duplamente qualificados. O juiz Daniel Surdi de Avelar, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, aceitou o pedido do advogado Elias Mattar Assad. A informação foi confirmada por Assad à Banda B por volta das 15h50 de hoje.

Por volta das 16h15, a médica deixou o Centro de Triagem I. Ela não falou com a imprensa. Saiu em silêncio acompanhada dos advogados, bem vestida e maquiada.

O processo também abrange outras sete pessoas, sendo que dos cinco presos, ela foi a última solta. Outros três médicos e uma enfermeira foram soltos na última sexta-feira (15).

O advogado Elias Mattar Assad, que defende a médica acusada declarou em nota enviada à imprensa que “não é a primeira vez que a ignorância aprisiona a ciência, nem será a última que a ciência libertará a ciência. O problema é que tanto uma como a outra, não tem limites e a sociedade terá que novamente renascer de si”.

Virgínia é acusada de sete homicídios duplamente qualificados e formação de quadrilha entre janeiro de 2006 e fevereiro de 2013. De acordo com a denúncia do MP, Virgínia comandava um esquema no qual por uso de medicamentos conjugados antecipava a morte de pacientes na UTI. De acordo com o órgão, ela comandava o esquema definindo quais pacientes iam morrer para, como ela própria diz nas gravações, “desentulhar a UTI”. O motivo deste procedimento ser feito não foi relatado pelo MP. A denúncia tem como base dezenas de depoimentos, interceptações telefônicas e prontuários médicos.