Por Felipe Ribeiro

Foto: Banda BFoto: Banda B

Milhares de manifestantes tomaram a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) por volta das 15 horas desta quinta-feira (12) e conseguiram impedir a sessão que poderia votar o “pacotaço” de medidas proposto pelo Governo do Estado. A ação aconteceu após os deputados estaduais entrarem na casa legislativa com apoio de um ônibus da tropa de choque da Polícia Militar.

O confronto teve início no momento em que os deputados estaduais chegavam para a sessão convocada pelo presidente Ademar Traiano (PSDB). Como os portões eram bloqueados por manifestantes, a Polícia Militar se utilizou de bombas de efeito moral e sprays de pimenta. Os deputados da base aliada precisaram de um ônibus da tropa de choque da PM para ter acesso ao prédio. Toda a ação foi coordenada pelo secretario de Segurança, Fernando Francischini.

Indignados com o prosseguimento da sessão, os milhares de servidores derrubaram o portão da Assembleia e entraram no prédio, o que fez com que Traiano cancelasse mais uma vez a discussão. Tomada por manifestantes, deputados estaduais ficaram completamente acuados dentro do gabinete da presidência. Alguns manifestantes e também policiais militares chegaram a ficar feridos após serem atingidos por bombas de efeito moral.

O líder do Governo da Assembleia, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) anunciou a desistência do “pacotaço” e os servidores deixaram a Assembleia com o documento da retirada do projeto. Deputados da oposição, como Professor Lemos (PT) e Tadeu Veneri (PT), acalmaram os ânimos no local.

Os manifestantes eram contrários ao projeto, porque afetava diretamente vários direitos dos servidores públicos. Por volta das 12h, após receberem informações de que a votação poderia acontecer na sede da TV Educativa, no bairro Mercês, em Curitiba, professores também cercaram o edifício.

Três sessões

Foram realizadas três até o recuo definitivo do Governo do Estado. Deputados estaduais da base aliada do governador Beto Richa (PSDB) apresentaram por duas vezes requerimento de comissão geral para a votação do “pacotaço” de redução de custos. A segunda sessão aconteceu a portas fechadas no quinto andar da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), já que o plenário seguia ocupado por manifestantes, principalmente professores ligados à APP Sindicato.

Ocupação

O plenário e alguns corredores da Alep foram ocupados no final da tarde de terça-feira (12), no momento em que centenas de servidores derrubaram a cerca do local e invadiram em massa as instalações. Os deputados tiveram que correr para uma sala anexa e ficaram acuados por cerca de 20 minutos, até a Polícia garantir a saída de todos do plenário.

Os servidores passaram duas noites no plenário e garantem que só saem se o governo retirar da pauta os projetos que prevêem mudanças no funcionalismo.

A Procuradoria Geral do Estado do Paraná conseguiu durante a madrugada de quarta-feira um mandado de reintegração de posse para que os manifestantes desocupem o prédio da Alep. O presidente da APP Sindicato, porém, se recusou a assinar o requerimento e os manifestantes se negam a deixar o espaço.