Bruno Henrique – Banda B
Manifestantes iam queimar pneus

Uma obra do governo estadual para a Copa do Mundo que deveria começar nesta quinta-feira (9) na Av. das Torres com a Rua Arapongas, próximo à Igreja Matriz, no bairro São Cristovão, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, foi adiada, depois da ameaça de um protesto por parte de moradores da região.

Os manifestantes não querem a construção de uma trincheira no local, sob a alegação de que ela iria causar problemas no acesso à igreja e também a escolas da região. Depois da ameaça de se bloquear a avenida usando pneus, foi definido que as obras só irão começar após uma audiência pública, com a presença do Ministério Público,marcada para a próxima terça-feira (14).

Operários da construtora se deslocaram ao local da obra na manhã de hoje e ao chegarem foram surpreendidos pelos manifestantes. Eles prometiam bloquear a Av. das Torres caso os trabalhos começassem. Houve uma negociação e ficou acordado que a benfeitoria só começa depois da audiência de terça-feira.

Segundo a confeccionista Delci Aparecida Teixeira, moradora na região, a obra está sendo feita no local errado. “Esta trincheira na Rua Arapongas, que nem é tão movimentada, vai atrapalhar o acesso à igreja e também das crianças que vão as duas escolas próximas. Eles deveriam fazer a trincheira na Rua São José que vira Rua Almirante Alexandrino e tem muito mais trânsito” , protestou.

Para Rosi do Rocio Possebom Carvalho, frequentadora da Igreja Matriz, conseguir adiar o início das obras foi uma conquista. “Só que ainda temos que lutar para levar a trincheira até outro local. Não é justo que ela seja feita aqui. Só vai atrapalhar os moradores”, disse.

“Impossível ser em outro local”

Em entrevista à Banda B, o diretor técnico da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), órgão do governo estadual, Sandro Setin, afirmou ser impossível a realização da obra em outra rua. “Questões técnicas e de cronograma impendem isto. Custaria mais caro e teria um tempo mais longo de execução. Foram estudados outros locais, mas não é possível que sejam feitos neles”, afirmou.

O diretor da Comec garantiu que irá participar da audiência da próxima terça-feira. “Estaremos lá para mostrar que a escolha do local foi feita levando em conta critérios técnicos”, afirmou.

Confira abaixo o mapa de onde está programada a construção da trincheira e para onde os manifestantes querem que ela vá:

Obra

O Corredor Aeroporto/Rodoferroviária prevê obras em toda a extensão da Avenida Comendador Franco (Avenida das Torres). Parte das obras será feita pela prefeitura de Curitiba. A parte de responsabilidade do Estado inicia na divisa entre a capital e São José dos Pinhais, e segue até o acesso ao Aeroporto Internacional Afonso Pena.

Neste trecho, de aproximadamente quatro quilômetros, serão retiradas nove torres de energia e semáforos para a implantação de mais uma pista em ambos os lados. Desta forma, a avenida terá quatro pistas em cada sentido, o que deve aumentar a capacidade de fluxo em 30%.

Além disso, serão construídas três trincheiras para veículos e duas passagens em desnível para pedestres (locais ainda não definidos). A obra está orçada em R$ 47,6 milhões, dos quais R$ 5 milhões são do Estado.

Também serão feitos serviços de pavimentação, iluminação, calçamento, ciclovia e paisagismo. Segundo a Comec, a via será totalmente urbanizada e ligará os parques locais. A empresa responsável pelos trabalhos também irá repor árvores ao longo da avenida.