Por Marina Sequinel e Danaê Bubalo

A vida escolar de um menino de nove anos é cheia de transtornos porque ele tem o cabelo comprido, segundo denúncia feita pela mãe à reportagem da Banda B. Ela contou que o bullying praticado contra o filho não vem dos colegas de turma, mas sim das professoras de uma escola municipal no bairro Tatuquara, em Curitiba.

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Professoras dizem que vão levar tiaras e rabicós para prender o cabelo do menino, segundo a mãe. (Foto: Arquivo pessoal)

De acordo com a mãe da criança, J. A. L., tudo começou quando o menino tinha apenas cinco anos. Na época, as agressões psicológicas eram motivadas pelo fato de ele chupar o dedo. “Quando ele entrou na escola, a professora levou uma chupeta rosa, da filha dela, colocou em cima da mesa do meu filho e disse ‘se você não parar de chupar o dedo, vou fazer você usar essa chupeta’. Isso foi o suficiente para bloquear a vontade de estudar e, desde então, ele não conseguia aprender nada”, disse ela em entrevista à reportagem na tarde desta terça-feira (20).

Com os problemas de aprendizado, a mãe chegou a levar o menino ao médico, mas o especialista descartou qualquer possibilidade de a criança sofrer déficit de atenção. O caso só foi resolvido depois que J. A. L. decidiu trocar o filho de escola. “Ele aprendeu a ler e a escrever direitinho, estava tudo bem, até que eu precisei mudá-lo de instituição de novo, por causa do contraturno”, completou ela.

Segundo a mãe, o bullying começou novamente, dessa vez, por causa do cabelo comprido do menino. “As professoras falavam que iam levar tiaras, rabicós e até comentaram que ele era anti-higiênico. Aquilo pegou tanto que uma colega chegou a puxar o cabelo dele e dizer ‘por que você não arranca de uma vez?’. O cabelo do meu filho é lindo, eu cuido tanto dele. Mesmo assim, elas gostam de humilhá-lo, não sei por quê. Quando fui reclamar na escola, entrei e saí de lá chorando”, desabafou.

J. A. L. foi à polícia e registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) sobre o caso. “Eu só quero que o meu filho seja respeitado. Ele não é uma menina só porque tem cabelo comprido. E se por acaso ele gostasse de usar saia ou qualquer coisa considerada feminina, eu o amaria do mesmo jeito e ele teria o direito de ser quem ele quisesse”, concluiu.

Núcleo de Educação

Procurada pela Banda B, a chefe do Núcleo de Educação do bairro Pinheirinho, Michele Jaremczyk, afirmou que já estava ciente da situação relatada por J. A. L. “No caso da chupeta, eu asseguro que fomos checar e, na ocasião, a professora fez uma retratação para a família. Claro que a mãe continuou chateada, porque o modo como ela agiu não foi certo”, declarou.

De acordo com ela, o Núcleo também vê como inadequado o comportamento das docentes em relação ao cabelo do menino. “Às vezes o cabelo comprido pode atrapalhar no aprendizado e há uma sugestão para que a criança o prenda. Mesmo assim, as professoras fizeram errado ao agir do jeito mencionado pela mãe. A diretora da escola já foi avisada sobre o caso, pediu desculpas à família, e deve fazer um trabalho de orientação junto aos docentes”.

O Núcleo de Educação vai continuar a avaliar os casos e, se o comportamento inadequado for comprovado, as professoras envolvidas podem ser punidas.