5 centavos

Por Luiz Carlos Martins*

O trabalhador não precisava passar por mais essa. Nem quem anda de ônibus e muito menos quem ganha a vida como cobrador. Só mesmo quem não sabe o que é embarcar todos os dias em um ônibus poderia tomar a decisão de fixar o preço da tarifa em Curitiba e Região Metropolitana em R$ 2,85. É a típica decisão tomada dentro de gabinetes, sem o “cheiro do povo”.

A reclamação é geral. O trabalhador dá R$ 3,00 e fica esperando o troco que, muitas vezes, não vem. As moedinhas de R$ 0,05, que já estavam desaparecidas, agora praticamente sumiram. Desprezadas nos fundos de uma gaveta, quase não circulam mais e, ainda assim, algum burocrata foi lá e fixou a passagem em R$ 2,85.

Decisões como a fixação do valor da tarifa não podem ser tomadas sem conversas com o povo, sem base na vida real. E antes que algum tecnocrata levante a mão para dizer que a maioria paga a passagem com o cartão-transporte, de novo, a realidade é outra. Dados da Urbs mostram que, em média, 50% das passagens da Rede Integrada de Transporte (RIT) são pagas com o cartão. Será que alguém tem coragem de desprezar cerca de 1,150 milhões de passageiros por dia? Como fica essa gente que, muitas vezes, volta para casa com dinheiro a menos no troco por causa da falta de moedas de R$ 0,05 em circulação? Como fica o estresse diário do cobrador que ouve insultos por algo que não tem culpa?

Planilhas de custos são importantes, mas nunca devem prevalecer sobre a vida real do trabalhador. Que a Urbs resolva isso sem criar mais uma forma de penalizar o trabalhador.

·Luiz Carlos Martins é radialista e apresentador do programa que leva seu nome na Rádio Banda B, em Curitiba. É também deputado estadual pelo PSD.