Redação

Um laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontou que Ricardo Geffer, suspeito de matar o ex-prefeito de Rio Branco do Sul, João da Brascal, foi morto por oito tiros, sendo que um deles foi na parte superior do crânio, de cima para baixo, fazendo com que a bala saísse por uma das têmporas. Essa constatação seria uma das indicações de execução, segundo o Ministério Público. Para o MP. O laudo também contraria a versão dos policiais de que Geffer foi morto em um confronto e teria reagido a abordagem.

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Mauro Sidnei do Rosário é o policial que está foragido – Foto: Divulgação MP-PR

A investigação sobre a morte de Ricardo Geffer provocou a prisão de oito policiais civis comandados pelo delegado Rubens Recalcatti, responsável pela Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), de Curitiba. Todos estão detidos com prisão temporária de 30 dias decretada. Apenas um policial envolvido está foragido. Mauro Sidnei do Rosário, segundo testemunhas relataram, seria o “bate-pau” que estava presente no momento do suposto “confronto”, sendo reconhecido como autor de pelo menos dois tiros contra a vítima. O ex-prefeito morto era primo de Recalcatti.

O documento do IML também aponta que Geffer alvo de escoriações no corpo, o que também indicaria as agressões. As informações do laudo correspondem aos depoimentos de testemunhas, segundo o MP.

Ao G1/PR, o advogado Cláudio Dalledone, que defende Recalcatti, afirmou que há outro laudo pericial, que contrasta com a versão do IML. Ele disse que não houve execução e que, neste outro documento, produzido há cerca de 40 dias, Geffer teria sido baleado em confronto, conforme a versão dos policiais. Ele ainda disse que o suspeito foi socorrido e morreu no hospital.

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Diagrama das lesões sofridas por Ricardo Geffer, segundo laudo do IML

Entenda o caso

Geffer era suspeito de envolvimento na morte do ex-prefeito de Rio Branco do Sul, João Dirceu Nazzari (o “João da Brascal”), de 59 anos, em abril deste ano. Além do político, um funcionário dele, José Antenogenes de Faria, de 47, foi executado a tiros. João da Brascal era primo do delegado Recalcatti, que passou a participar da investigação do caso.

Para o coordenador do Gaeco, promotor Leonir Batisti, há elementos suficientes para a prisão do delegado e outros policiais. “Temos elementos suficientes para mostrar que não houve a primeira versão, de um confronto em uma localidade em um lugar de difícil acesso. Policiais teriam ido para investigar crime de tráficos, no entanto essa equipe que lá foi não tinha uma atribuição e, mais do que isso, testemunhos informaram que a pessoa estava algemada e foi executada”, descreveu.

Polícia Civil

Sem citar nomes, o Departamento da Polícia Civil (DPC) informou na terça-feira, em nota, que estava investigando o caso, através de um procedimento interno, por meio da Corregedoria Geral da Polícia Civil (CGPC). Na última quinta-feira (8), a Corregedoria ouviu uma testemunha que estava no local do crime e que já tinha sido intimada para prestar depoimento, porém não havia comparecido.

Conforme a polícia, a Corregedoria, que acompanhará a conclusão da operação do Gaeco, se coloca à disposição do MP-PR para colaborar com esclarecimento dos fatos.

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