Por Marina Sequinel e Luiz Henrique de Oliveira

Laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba, concluído nesta quarta-feira (8), apontou que Leonardo Felipe da Silva, de dois anos e sete meses, morreu em razão de “perfurações do estômago com peritonite aguda”.  Ele fez uma cirurgia de amígdalas no dia 24 de novembro do ano passado no Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO), localizado no bairro Água Verde, em Curitiba. Diante do documento, a família afirma que a morte ocorreu por erro médico e pede justiça.

Já o IPO, ao ser procurado, informou, por meio de sua assessoria jurídica, que irá se manifestar apenas nos autos, até porque não houve indício de erro médico e o laudo não dá margem para essa interpretação. Além disso, afirmou que foi o IPO que solicitou o exame de necrópsia a fim de esclarecer o caso.

O caso

Leonardo morreu após a cirurgia no IPO – Facebook

O menino sofreu uma parada cardiorrespiratória na noite de 24 de novembro do ano passado, depois de receber alta do IPO. Segundo a família, ele ficou bastante debilitado com a cirurgia, reclamou de dores, mas foi liberado para voltar para casa.

Consternada, a família pediu pelo exame de necrópsia para saber o que exatamente aconteceu com Leonardo. “O que nós concluímos agora é que a culpa é generalizada. Eles perfuraram o meu filho em uma bifurcação entre o esôfago e o estômago, duas vezes. A minha esposa, que é enfermeira, acredita que isso provavelmente aconteceu na hora de entubá-lo. Colocaram o cano muito para dentro, nem era para estar ali”, disse o empresário Rogério Nilton da Silva, pai da criança, em entrevista à Banda B.

De acordo com ele, a família pretende entrar com uma ação na Justiça contra toda a equipe envolvida. “O IPO, o diretor, o médico, a instrumentadora, todos os envolvidos, não vai passar uma pessoa. Até porque, após a cirurgia, nós reclamamos várias vezes que o Leonardo não estava bem, mas eles só diziam que as reações dele ‘eram normais'”, completou Rogério.

Após a primeira reportagem da Banda B sobre a morte do menino, o Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa) entrou em contato com o pai de Leonardo para acompanhar os desdobramentos e abrir inquérito sobre o caso.

“Nós estamos arrasados. A minha esposa ligava quase todos os dias para o IML, para saber desse laudo. Soubemos que ele ficou pronto ontem e hoje a primeira coisa que fizemos foi buscá-lo. É terrível, principalmente porque ao longo de todo esse tempo, não recebemos assistência por parte do hospital”, finalizou.

A família de Leonardo mora em Paranaguá, no litoral do Paraná, e estava na casa dos avós maternos da criança para realizar a cirurgia.

Ministério Público

Procurado pela reportagem, a Promotoria de Saúde do Ministério Público do Paraná (MPPR) informou que está ciente do inquérito e que vai acompanhar o caso para tomar as medidas cabíveis. O órgão deve receber uma cópia do laudo e pretende ouvir a equipe médica envolvida para análise técnica. A partir desse processo, o MP poderá propor uma denúncia criminal sobre a morte de Leonardo.

Polícia Civil

Também procurada, a Polícia Civil confirmou que o inquérito policial no Nucrisa está em andamento e, como ainda não foi concluído, o delegado responsável prefere não falar sobre o caso.

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