Da AEN

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Imagem ilustrativa/Divulgação)

Quatro anos após a suspeita de ocorrência da “doença da vaca louca” em um bovino no município de Sertanópolis, no Norte do Paraná, o laboratório de referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), em Weybridge, no Reino Unido, emitiu laudo confirmando, mais uma vez, que houve uma manifestação atípica da doença.

A emissão do laudo ocorreu no dia 21 de novembro, após realização de ensaios “in vivo” com camundongos e testes moleculares complementares. O laudo mantém o Brasil com status de “risco insignificante” para a doença junto ao órgão internacional, que é o status de maior segurança.

Credibilidade

De acordo com o laudo, o serviço veterinário oficial do Paraná, representado pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), autarquia vinculada à Secretaria da Agricultura e Abastecimento, “cumpriu rigorosamente o que é preconizado no Código Sanitário para Animais Terrestres da OIE, quanto às ações de vigilância para a “doença da vaca louca” – encefalopatia espongiforme bovina.

“Foi seguido todo o protocolo para doenças com síndrome nervosa e conseguimos chegar nesse diagnóstico, comprovado pelo laboratório inglês”, afirma o diretor -presidente da Adapar, médico veterinário Inácio Kroetz. “Com isso, a Adapar saiu fortalecida e com credibilidade perante a OIE”, acrescentou Kroetz.

Os estudos realizados na Inglaterra mostram que a chance de ocorrência da doença na forma atípica, como foi verificada no Paraná, é de 0,35 casos por um milhão de bovinos testados. Portanto, o fato de o Paraná ter sido capaz de detectar a ocorrência da doença nesta forma, comprova a lisura e a sensibilidade da vigilância sanitária para a doença.

Caso

Em dezembro de 2010, foi atendido um caso de morte de um bovino no município de Sertanópolis e o protocolo de investigação para síndrome nervosa foi aplicado para descartar ocorrência de raiva bovina, pois havia sido registrado caso anterior dessa doença, nessa propriedade. Tratava-se de uma vaca, com 13 anos de idade, sem apresentar sinais neurológicos, que veio a morrer na propriedade, de causa natural ou indefinida.

Foram coletadas partes específicas do sistema nervoso central do animal para análise nos laboratórios do Serviço Veterinário Oficial que, após vários estudos, detectou a presença do príon, inicialmente sem especificar se na forma clássica, ou atípica. Estudos complementares, à época, diagnosticaram a forma atípica da doença, portanto, de menor gravidade. A amostra continuou sendo avaliada para diagnóstico confirmatório no laboratório do Reino Unido, que fez testes biológicos durante quatro anos, o que permitiu concluir que se tratava indiscutivelmente de um príon da forma atípica.

A simples detecção do príon em bovinos de idade avançada não permite afirmar que se trata de encefalopatia espongiforme bovina na sua forma clássica e, devido a isto, vários estudos complementares foram levados a efeito. O primeiro diagnóstico seguro que detectou o príon neste caso, e no Brasil, ainda assim na sua forma atípica, foi registrado em 2012.

Formas de doença

Segundo o diretor presidente da Adapar, atualmente são conhecidas duas formas de encefalopatia espongiforme bovina, a clássica e a atípica, que são diferentes quanto à epidemiologia. A forma clássica é transmitida por rações contaminadas com o príon e pode ocorrer quando bovinos jovens ingerem rações que contenham proteína de origem animal, de bovinos principalmente – no caso farinhas de carne – quando os animais que deram origem a estas farinhas tenham sido portadores do príon.

E a forma atípica da doença, como a verificada no Paraná, é causada por príons cuja diferença pode ser diagnosticada por terem peso molecular maior ou menor do encontrado na forma clássica. Esta forma, até onde se sabe, é de aparecimento espontâneo, não sendo relacionada à ingestão de alimento contaminado, portanto pode ocorrer em qualquer lugar do mundo, especialmente em bovinos com idade avançada, acima de nove anos.

A “doença da vaca louca”, com nome científico de encefalopatia espongiforme bovina, é causada por uma partícula de proteína patogênica denominada príon, que degenera o sistema nervoso central de bovinos. Como consequência o animal acometido apresenta sinais nervosos como excitação à luz e a ruídos, cegueira, falta de coordenação motora, tremores, entre outros. Porém esses sinais não são suficientes para o diagnóstico da doença, pois são comuns a outras doenças do sistema nervoso de bovinos. O período de incubação é longo, em torno de cinco anos até o aparecimento dos primeiros sinais, portanto pode ser considerada uma doença de animais adultos.

A forma clássica da doença tem grande impacto socioeconômico, por motivos sanitários, principalmente porque afeta o comércio internacional de material genético e carne bovina. É fundamental e obrigatória a comunicação imediata, pelos produtores rurais, às autoridades de defesa sanitária animal, diante de manifestação clínica de sinais nervosos em bovinos, principalmente quando manifestados de forma crônica e progressiva, esclarece o médico veterinário.

Também deve ser denunciado o fornecimento de cama de frango ou outros alimentos que possam conter proteínas e gorduras de origem animal na alimentação de bovinos.