Por Luiz Henrique de Oliveira e Bruno Henrique

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Moradores estão solidários a pedreiro que perderá a casa (Foto: Bruno Henrique – Banda B)

A triste história dos moradores que estão perdendo as casas em que moram por não conseguirem arcar com o juro abusivo do financiamento teve mais um capítulo na manhã desta terça-feira (9). A Justiça de São José dos Pinhais, a pedido das imobiliárias, cumpre algumas reintegrações de posse. O drama vivido pelas mais de quatro mil famílias afetadas pelo problema ficou evidente na tristeza do pedreiro Sidnei Andrade, que terá que entregar a casa em que viveu por 20 anos.

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Pedreiro terá que entregar a casa à Justiça (Foto: BH – Banda B)

A moradia do pedreiro está localizada na Rua José Lourenço da Rocha, no Jardim Dom Marcos. “Eu construí a minha casa depois de ter comprado o lote e agora acontece isso. Eu tentei com advogados renegociar os juros, mas não teve como”, iniciou.

“É impossível pagar os valores atuais. Eu trabalho como pedreiro, tenho problemas de saúde e não tenho como arranjar fundos. Cadê o Ministério Público para nos ajudar?”, questionou o pedreiro em entrevista à Banda B.

Vários moradores que correm o mesmo risco estão em frente à casa de Andrade, a fim de protestar contra os oficiais de Justiça. “Hoje acontece com ele e amanhã pode ser com a gente. Ninguém olha por nós”, reclamou uma moradora que se identificou apenas como Tânia.

Imobiliária nega juro abusivo

Um representante de uma das imobiliárias envolvida no caso procurou a Banda B nesta terça-feira (9). Segundo ele, alguns moradores estão há onze anos sem pagar as parcelas. “A Justiça julgou que não há juro abusivo, tenho mais de 100 decisões em mão. O pessoal quer causar comoção social e tentar ter o imóvel sem pagar”, afirmou.

Relembre o caso

Cerca de quatro mil famílias moradoras em 26 loteamentos em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, vivem um drama. O aumento anual no valor da parcela mensal no financiamento causa, segundo as famílias, endividamentos e até perda dos lotes por meio de ações de reintegração de posse. Para tentar uma solução, representantes das famílias fazem uma manifestações diária em frente ao Fórum da cidade, tentando renegociar as parcelas, mas até agora sem êxito.

Pessoas afetadas

O mecânico industrial Moysés Solominski, por exemplo, comprou um lote em 1996, dando uma entrada de R$ 50 mil e pagando uma parcela inicial de R$ 100. “Agora, cerca de vinte anos depois, a parcela está no valor de R$ 500. Muitas pessoas não sabem o que fazer e, por isso, estamos acampando em frente ao Fórum de São José dos Pinhais, para tentar uma renegociação no valor dos juros”, afirmou à Banda B

Os lotes das famílias afetadas estão localizados em bairros como Planta São Marcos, Jardim Fênix e o Jardim Lúcia. “Fiquei desempregada por quatro anos e não tive como arcar com a parcela, o que me levou a acumular dívidas. Comecei pagando R$ 500 e hoje passa dos R$ 1,3 mil”, disse a técnica em enfermagem, Silvana de Fátima Conceição, que não consegue mais ter renda para arcar com o valor mensal.

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