Da Redação

A 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba aceitou, nesta segunda-feira (13), denúncia contra a policial civil Kátia das Graças Belo, que é acusada de matar a copeira Rosária Miranda da Silva. Com a decisão, a investigadora se torna ré no processo, mas segue em liberdade e pode continuar trabalhando.

Rosária foi baleada no dia 23 de dezembro durante uma confraternização. (Foto: Reprodução)

Na decisão, o juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar ainda negou o pedido de prisão preventiva feito pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), acatando os argumentos apresentados pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) de que ela não representa perigo concreto à sociedade, já que tem residência física, apresentou-se à polícia e não possui antecedentes criminais.

“Em relação à prisão preventiva, relata que a finalidade que a lei visa atender com o fundamento da garantia da ordem pública é de acautelar o meio social, garantindo a credibilidade da justiça em crimes que provoquem clamor popular; a brutalidade do delito praticado provoca comoção no meio social gerando sensação de impunidade e descrédito pela demora na prestação jurisdicional, de tal forma que, havendo o ‘fumus boni juris’, não convém aguardar-se até o trânsito em julgado para só então prender o indivíduo”, diz na decisão.

A DHPP concluiu o inquérito do crime no fim de janeiro. Kátia foi indiciada pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, motivo fútil e sem defesa para a vítima. O inquérito foi assinado pelo delegado Fábio Renato Amaro.

O caso

Rosária participava de uma confraternização no último dia 23 de dezembro no Centro Cívico, em Curitiba, quando foi baleada na cabeça. Ela chegou a ser socorrido e ficou internada no hospital, mas não resistiu e morreu no dia 1º de janeiro. Na DHPP, Kátia disse que se irritou com o barulho da festa, que ocorria ao lado de casa. O disparo teria sido feito da janela do apartamento dela.

A investigação da Polícia Civil aponta que Kátia fez mais de um disparo contra a festa em que a vítima estava. De acordo com a análise da Polícia Científica, uma das simulações mostra que a janela de Kátia é compatível com a trajetória da bala que atingiu a cabeça de Rosária. A investigação encontrou ainda um vídeo de monitoramento de uma empresa vizinha, que apontaria que a investigadora fez pelo menos dois tiros contra a festa e não um como afirmou em depoimento na DHPP. As imagens mostrariam clarões vindos da janela da policial.

O laudo, no entanto, aponta uma ressalva. Os peritos apontam que uma árvore e outros elementos causam uma obstrução de visão direta. Mesmo assim, a perícia acredita que a janela é compatível como origem do tiro.

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