A 2ª Vara do Tribunal do Júri aceitou no final da tarde desta sexta-feira (15) a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), contra a ex-chefe da UTI do Hospital Evangélico, Virgínia Soares de Souza, presa desde o dia 19 de fevereiro, acusada por homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha. O processo abrange também outras sete pessoas, sendo que das cinco presas, três médicos que estavam com prisão temporária foram soltos.

De acordo com o advogado da Dra. Virginia, Elias Mattar Assad, era esperado que os outros três médicos e a enfermeira fossem soltos, pois tratando-se de prisão temporária a mera conclusão do inquérito já autorizaria a expedição dos alvarás de soltura.”Quanto a liberdade da médica chefe da UTI, por se tratar de prisão preventiva a burocracia é um pouco maior e depende de prévia vista ao Ministério Público”, disse.

Segundo o advogado, após leitura da denúncia contra a sua cliente, sua defesa vai prosseguir na tese da ausência da existência do fato criminoso e materialidade de qualquer crime. “Eu espero que o pedido de liberdade da Dra. Virginia seja despachado até a quarta-feira próxima (20)”, concluiu em nota enviada à imprensa.

Virgínia é acusada de sete homicídios duplamente qualificados e formação de quadrilha entre janeiro de 2006 e fevereiro de 2013. De acordo com a denúncia do MP, Virgínia comandava um esquema no qual por uso de medicamentos conjugados antecipava a morte de pacientes na UTI. De acordo com o órgão, ela comandava o esquema definindo quais pacientes iam morrer para, como ela própria diz nas gravações, “desentulhar a UTI”. O motivo deste procedimento ser feito não foi relatado pelo MP. A denúncia tem como base dezenas de depoimentos, interceptações telefônicas e prontuários médicos.