Por Elizangela Jubanski

Carlos Alberto se negou em trocar de roupa e terminou a noite em casa. Foto: Reprodução/Facebook

O professor de dança Carlos Alberto Júnior, de 22 anos, escolheu um bar no Batel, em Curitiba, para rever uma amiga que veio de São Paulo na noite deste domingo (9). Vestindo um tradicional jeans, ele montou o look com sapatênis de cor vermelha e uma camiseta justa com mangas curtas – que deixa as axilas à mostra ao erguer os braços. Para a casa noturna Santa Marta, Carlos Alberto estava vestido de forma “inadequada” para entrar na casa.

A proibição não teve bate-boca. Carlos Alberto contou à Banda B que o segurança pediu com educação para que ele aguardasse enquanto falava, por meio do rádio, com um colega. “Minha amiga e eu ficamos um tempo na fila e quando chegou minha vez ele me olhou e pediu um minuto para ver se aquele tipo de camiseta poderia entrar. Eu olhei para minha amiga e ri. Ele disse que às vezes a casa reclamava que aquele tipo de camiseta era regata. Eu continuei a rir”, contou.

Segundo ele, o segundo segurança também olhou e disse não saber se tratava, de fato, de uma regata. “Daí eu falei ‘cara, convenhamos, isso não é uma regata’. Mas, pelo que entendi uma outra pessoa que estava acima deles precisava vir e ver para liberar ou não. Depois de um tempo, eu nem cheguei a ver essa pessoa, falaram que, realmente, eu não poderia entrar”, lamentou.

Voltar para a casa foi a opção de Carlos Alberto, mesmo – segundo ele – tendo outras roupas dentro do carro dele. “Acredito que tudo que é pequeno, sempre será pequeno. Então não me dei ao trabalho”, escreveu na rede social Facebook. Embora indignado, Carlos Alberto preferiu não envolver a polícia. Até porque, por serem estabelecimentos privados, as casas noturnas têm autonomia para estipular normas de acesso – contanto que informe aos clientes, na entrada do local, de forma clara e visível.

Mesmo assim, ao se sentirem constrangidos ou humilhados com as regras, clientes podem recorrer à Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (DELCON). Em casos por danos morais, por exemplo, é preciso que o cliente tenha bons argumentos para a ação, várias testemunhas, embasamento sólido, justamente porque a jurisprudência desses casos é amplamente favorável às casas noturnas.

A Banda B procurou a assessoria do Santa Marta pela manhã e até o fechamento desta reportagem, às 14h30, ainda não houve retorno.

Recente

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais negou o pedido de indenização por danos morais a um policial militar. Ele foi impedido de entrar e um bar na capital mineira. Na decisão, o TJ-MG considerou válida a prova de que existia um cartaz, na porta do bar, determinando o tipo de traje necessário.

O policial havia sido convidado para um aniversário, no bar, que fica dentro do BH Shopping. Na entrada, foi barrado pelos seguranças por não estar vestido de acordo, já que o tipo de traje permitido era “esporte fino”. O policial usava uma camiseta com o nome de uma casa noturna concorrente.

Ele alegou ter sofrido constrangimento diante de seus amigos e colegas por ter sido impedido de entrar. Para ele, a atitude dos seguranças denegriu sua imagem. A Justiça não aceitou o argumento.