O inquérito policial sobre as mortes na UTI do Hospital Evangélico que, supostamente, teriam sido provocadas por médico da equipe da Dra. Virginia Soares de Souza, chefe do setor, aponta que o uso de medicamentos para provocar os óbitos. A polícia trabalha com a hipótese de que as vítimas tenham morrido pelo uso de anestésicos, combinado com a diminuição da quantidade de oxigênio nos respiradores.

Segundo a Folha apurou, as denúncias que deram origem ao inquérito, feitas por funcionários e ex-funcionários do Hospital Universitário Evangélico, relatam que médicos injetavam pavulon, um relaxante muscular utilizado para entubar pacientes.

Esse medicamento paralisa os músculos e, quando associado à baixa ventilação dos pulmões, pode provocar parada respiratória.

Um dos indícios que podem caracterizar essa prática, segundo o inquérito, são os exames de necropsia feitos em pacientes que morreram entre o fim de 2011 e março de 2012. Esses exames mostram que os pulmões dos pacientes estavam congestionados e com secreção, mas esses indícios não seriam suficientes para comprovar a intenção dos médicos de matar esses pacientes. Por isso, a polícia infiltrou um agente, que é enfermeiro, para trabalhar na UTI e colher gravações e vídeos na Unidade.

A polícia verificou os laudos de cinco homens – um de 24 anos, morto em dezembro de 2011; outro de 45 anos, morto em 8 de março de 2012; o terceiro em 24 de fevereiro; o quarto, em 2 de março; e, por fim, outro homem morto em 3 de março; há ainda outra pessoa, não identificada no inquérito, informou a Gazeta do Povo.

Defesa

Em entrevista à Folha, Elias Mattar Assad sustenta que os laudos das vítimas apontam, até aqui, que as condições dos corpos condizem com as causas indicadas no atestado de óbito, e não comprovariam, portanto, uso de anestésicos ou outros medicamentos para antecipar a morte.

Para ele, os depoimentos de testemunhas “podem nada ou muito pouco” para provar a materialidade dos crimes.

Assad sustenta que este é “o maior erro investigativo, judiciário e midiático” dos últimos anos no país.

Além de Virgínia, a chefe da UTI, estão presos outros quatro funcionários do Hospital Evangélico