Da Redação com AEN

O Departamento de Trânsito do Paraná (Detran) divulgou nesta sexta-feira (12) uma pesquisa que traça um perfil do comportamento dos homens no trânsito e mostra como a paternidade mudou o modo de dirigir de alguns condutores. No Paraná, por exemplo, os motoristas do sexo masculino, com idade entre 25 e 34 anos, são os que mais tiveram a habilitação suspensa por infrações de trânsito. Só no primeiro semestre deste ano, foram 8.731 suspensões.

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Foto: AEN

“Uma das razões que podem justificar esse resultado é que na juventude a autoafirmação leva um comportamento mais exibicionista no trânsito e, assim, os riscos são muito maiores”, diz o diretor-geral do Detran, Marcos Traad.

De acordo com o Ministério da Saúde, com base no sistema DataSUS, a cada 10 vítimas fatais no trânsito, 8 são homens e 2 são mulheres. “Estudos mostram que eles e elas tendem a se comportar de modo diferente no trânsito. Enquanto as mulheres são mais cautelosas, analíticas e emotivas, muitos homens acabam por subestimar o perigo e agem de forma intolerante, agressiva e negligente diante das condições adversas”, explica Traad.

Segundo o Detran, dos mais de 39 mil notificados no primeiro semestre de 2016, por suspensão e cassação do direito de dirigir, 75% são homens. Entre os motivos que levaram a suspensão deles no período estão transitar em velocidade superior à permitida em até 20% (11.545), avanço do sinal vermelho do semáforo (5.435) e estacionar em desacordo com a regulamentação (5.130).

O número de mortos e feridos também segue esta tendência. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, no primeiro semestre de 2016, foram 5.200 acidentes envolvendo eles no Estado, com 249 mortos e 3.392 feridos.

Paternidade

O comportamento masculino ao volante parece mudar com a chegada dos filhos e os homens ficam mais preocupados com a própria segurança e de seus familiares. É o que acredita o vice-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, Mauro Gil Meger. “Com a paternidade, o homem tende a ser automaticamente e inconscientemente mais responsável e preocupado, duas características muito necessária para o trânsito”, avalia.

O consultor de vendas Thiago Luiz Iurk, de 34 anos, conta que o mudou a atitude ao volante logo depois que descobriu que a esposa estava grávida. “Antes de ser pai eu agia como um animal no trânsito, fazia ultrapassagens perigosas e perdia a cabeça com qualquer coisa. Depois disso, muitas coisas mudaram na minha vida, principalmente a conduta no trânsito. Fiquei mais consciente sobre os perigos e passei a praticar a direção defensiva. Não quero que minha filha cresça sem o pai do lado”, afirma.

Os homens continuam representando a maior parte dos habilitados no Paraná, sendo 3.538.561 condutores dos 5,3 milhões no Estado. Nos últimos cinco anos, entretanto, esse número sofreu queda. Enquanto em 2011 eles representavam 68,20%, hoje são 65,56% do total de motoristas. Já o número de mulheres com CNH segue crescendo: há cinco anos elas eram 31,80% do total e agora são 34,24%.