O advogado Elias Mattar Assad, que faz a defesa da ex-chefe da UTI Virgínia Helena Soares de Souza, entregou ao Cartório Judicial da Segunda Vara do Júri de Curitiba nesta quinta-feira (11) a defesa da médica acusada por várias mortes no Hospital Evangélico. Junto aos documentos, ele anexou ao processo duas cartas, uma que narra os bastidores das investigações e uma segunda, que será mantida em sigilo até o dia do julgamento, que citaria alguns nomes.

“O que eu posso dizer é que uma empresa de ensino superior da área de Engenharia, interessada na compra do Hospital Evangélico e que sabia tanto das dificuldades financeiras, quanto do gênio forte da Dra. Virgínia, pressionou autoridades paranaenses a cometerem esses grandes erros de investigação para desmoralizar a instituição”, disse.

Segundo Assad, a carta chegou até ele após sua equipe receber uma ligação de São Paulo, local no qual esta instituição teria sede, com detalhes da operação que desencadeou o caso. “Se a Polícia Civil e o Ministério Público trabalham com denúncias anônimas, a defesa também pode preservar a identidade do seu denunciante”, afirmou.

Hoje, o advogado afirmou que, além de rebater a denúncia em todos os seus termos e insinuações, a defesa requereu a produção de provas testemunhais, periciais, documentais e também exumação de todos os cadáveres mencionados. “Com isto queremos evidenciar tecnicamente a inexistência dos fatos criminosos assestados contra a nossa cliente”, afirmou.

Virgínia é acusada pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa) e pelo Ministério Público (MP-PR) de sete homicídios duplamente qualificados e formação de quadrilha entre janeiro de 2006 e fevereiro de 2013. De acordo com a denúncia do MP, Virgínia comandava um esquema no qual por uso de medicamentos conjugados antecipava a morte de pacientes na UTI. De acordo com o órgão, ela comandava o esquema definindo quais pacientes iam morrer para, como ela própria diz nas gravações, “desentulhar a UTI”. O motivo deste procedimento ser feito não foi relatado pelo MP-PR. A denúncia tem como base dezenas de depoimentos, interceptações telefônicas e prontuários médicos.

Confira a primeira das três páginas divulgadas pelo advogado Mattar Assad:

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