Por Denise Mello, Danaê Bubalo e Bruno Henrique

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Funcionários em greve reunidos em frente ao Hospital Cajuru – Foto: Bruno Henrique/Banda B

Depois de uma assembleia que terminou por volta das 20 horas desta terça-feira (3), funcionários de hospitais privados e filantrópicos de Curitiba e região metropolitana decidiram entrar em greve a partir de hoje. Desde o início da manhã, o atendimento já é prejudicado nos Hospitais Cajuru e Hospital Zilda Arns (Idoso), no Pinheirinho. De acordo com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e Região (Sindesc), os setores de emergência, UTI e centros cirúrgicos não estão sendo afetados pela greve. Já o Hospital Cajuru informou que os 100% de funcionários no setor de emergência como ficou acordado perante a Justiça, não vem sendo respeito.

Neste primeiro dia, ainda segundo o Sindesc, a paralisação atinge apenas técnicos de enfermagem, enfermeiros, trabalhadores da copa e lavanderia destes dois hospitais. A greve deverá ser ampliada a partir desta quinta-feira.

“Hoje, estamos concentrados nos Hospitais Cajuru e do idoso. Amanhã a greve deverá atingir também os Hospitais Evangélico, Pequeno Príncipe e São Vicente. Temos o cuidado de não prejudicar os serviços de emergência, mas a paralisação já começou e é por tempo indeterminado”, informou o diretor do Sindesc, Natanael Martine, em entrevista à Banda por das 7 horas.

Segundo Isabel Cristina Gonçalves, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e Região, a categoria pede um aumento de 15%, além de um aumento no vale refeição e também melhorias na insalubridade dos trabalhadores. Em assembléia o proposto pelas empresas foi um reajuste de 7,93%, pago em duas vezes até o mês de janeiro do ano que vem.

“Estamos negociando há meses, em pelo menos oito rodadas, e a proposta não melhorou. Nem mesmo a intermediação do Tribunal do Trabalho promoveu um acordo e a categoria não teve outra saída que não fosse a greve”, disse a presidente.

Segundo o Sindesc, o piso salarial de um auxiliar de enfermagem está hoje, em média, em R$ 1.050. A categoria representa um contingente de 20 mil pessoas e pode atingir, além dos hospitais Cajuru e Evangélico, outros 48 hospitais e clínicas particulares.

Unidades de Saúde sobrecarregadas

Em nota, a Prefeitura de Curitiba informou por volta das 10h40, que, em função da greve dos funcionários de hospitais, as Unidades de Saúde de Curitiba estão sobrecarregadas. Segue nota na íntegra:

“As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Curitiba estão sobrecarregadas nesta quarta-feira (04), com aumento no número de pacientes graves, em função da greve de funcionários de hospitais privados e filantrópicos de Curitiba e região metropolitana. Em razão disso, a Secretaria Municipal da Saúde reforça a orientação para que a população de Curitiba só procure as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em casos de urgência e emergência, buscando as unidades básicas de saúde em casos sem gravidade.

O secretário municipal da Saúde, Adriano Massuda, reuniu-se na noite de terça-feira (03) com representantes de hospitais privados e filantrópicos para discutir um plano de contingência que garanta a manutenção do atendimento de urgência e emergência durante a greve dos funcionários dessas unidades. O plano prevê o adiamento de procedimentos eletivos e remanejamentos internos de pessoal nos hospitais”, encerra a nota.

Hospital Cajuru

Também por meio de nota a assessoria do Hospital Cajuru informou no final da manhã que pelo menos 50% dos funcionários cruzaram os braços hoje. Com isso, o atendimento está sendo feito com restrições. Segue a nota do Cajuru:

“O Hospital Universitário Cajuru informa que houve uma adesão de 50% dos colaboradores que atuam nos setores críticos – Pronto-Socorro, Centro Cirúrgico, Unidade de Terapia Intensiva e Unidades de Internação -, à greve promovida pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e Região (Sindesc). Sendo que são críticas as situações do Pronto Socorro e Unidades de Internação. Em reflexo a adesão, o Pronto Socorro opera, neste momento, com restrições de atendimento.

A instituição ressalta que em liminar, emitida pela Justiça do Trabalho, houve a determinação de que deveriam ser mantidos em 100% os profissionais dos setores críticos para garantir a prestação de assistência médica, sumamente essencial à população. A determinação da justiça não está sendo acatada pelo Sindesc”, encerra a nota.