Após os protestos de moradores e comerciantes de Santa Felicidade, o Governo do Paraná recuou da decisão de construir um presídio do regime semiaberto em Campo Magro, próximo da divisa com o bairro da região norte de Curitiba. A decisão foi tomada em reunião realizada no começo da noite desta segunda-feira (18). A informação foi repassada à Banda B pela presidente da Associação do Comércio e Indústria de Santa Felicidade (Acisf), Ana Lúcia Moro, mas ainda não foi confirmada pela Secretaria de Justiça do Paraná.

Segundo Ana Lúcia, em reunião realizada na noite de ontem, a secretaria Maria Tereza Uille Gomes, afirmou que o presídio não será implantado em Campo Magro, mas outras questões podem ser instaladas no espaço. “Ela disse que o governo estuda implantar no local projetos, como cooperativas sociais, um centro de integração para mulheres ou um centro de qualificação profissional, mas todos projetos para detentas, o que também nos preocupa”, disse.

Os empresários se colocaram contrários a esses projetos, já que temem que isso seja um primeiro passo para a construção de uma penitenciária feminina. “No passar dos dias, elas podem precisar de alojamento, podem precisas de outras coisas. Então não foi colocado de forma clara para nós o projeto, mas o governo está aberto ao diálogo, o que já é um ponto positivo”, afirmou.

O temor dos comerciantes de construção de um presídio no local é a insegurança. Segundo Ana Lúcia, o bairro já é vítima de diversos assaltos e Santa Felicidade inevitavelmente seria caminho para a passagem dos detentos. “Existe até a possibilidade dos clientes se afastarem do bairro, então estamos preocupados, já que essa instalação traz um sentimento de insegurança”, concluiu.

O projeto

O projeto da construção de um presídio agrícola na divisa do bairro Santa Felicidade, em Curitiba, com o município de Campo Magro, foi proposto na última semana e causou a revolta das lideranças do bairro. No local funcionaria um presídio do sistema semiaberto, onde os presos passam o dia livre e voltariam à noite para dormir na cadeia. O terreno de 40 alqueires onde o projeto prevê a construção do presídio pertence à Fundação da Ação Social (FAS) de Curitiba.

Audiências públicas ainda serão feitas para se chegar a uma conclusão a respeito do presídio.