Por Luiz Henrique de Oliveira

A formação de 2,4 mil policiais e bombeiros militares foi motivo de festa no último dia 19 de setembro, porém as semanas seguintes têm sido de dúvidas. Diferente do que foi prometido após a aprovação em concurso público, os  formados receberam em outubro o valor da bolsa formação e não o salário de soldado de 1° classe. Em entrevista à Banda B, nesta quarta-feira (22), muitos reclamaram que prepararam o orçamento para receber em torno R$ 3,4 mil e não R$ 1,6 mil.

“Nós nos formamos para isso? Agora até empréstimo consignado fiz e não tenho a menor ideia de quando vou receber. O que está acontecendo é um absurdo. Por que o Governo Estadual simplesmente não cumpre o que prometeu?”, questionou um soldado à Banda B (ele pediu para não ser identificado).

bombeiroepm(Foto: Reprodução Site Mauro Moraes)

Outro soldado recém-formado, pai de dos filhos, também não se identificou para evitar retaliação. Ele garantiu que teme até ser despejado de casa. “Não sei se vou arcar com o aluguel, porque existem outras contas programadas a serem pagas. Como podem não depositarem o valor que era o prometido? Falaram que isso só vai acontecer em março do ano que vem”, reclamou.

Em busca de solução

O deputado estadual Mauro Moraes (PSDB), presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa, disse que está negociando o pagamento diretamente com as Secretarias da Administração e Previdência (Seap) e de Finanças.

“Os alunos têm total razão de querer receber o que é de lei, porque quando foi feito o concurso era certo que o salário de 1° classe deveria ser pago após a formatura. Não existe definição de quando vai ser pago o valor, dizer que só em março é boato. Para outubro o pagamento não veio, mas estamos negociando para que aconteça em novembro com retroativo aos outros dias”, explicou Moraes.

Segundo o deputado, a Seap argumentou que não fez o pagamento porque a folha pessoal do Estado atingiu o limite prudencial em 48%, o que dificultou a adequação salarial dos soldados de 1ª Classe formados em setembro. “O pagamento aos soldados aumentaria a folha em R$ 4 milhões, o que faria subir esse limite para gasto com funcionários em 50%. Isso vai contra a lei de responsabilidade fiscal”, disse.

Resposta Governo

A Banda B buscou contato com a assessoria de imprensa da Seap, que informou que a resposta sobre o caso deve ser dada pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp).

Procurada, a Sesp enviou a seguinte resposta sobre o caso:

A situação já está equacionada. Os soldados vão receber o salário regular em folha suplementar.