O Programa de Gestão de Solos e Água em Microbacias será colocado em prática no Paraná a partir deste mês de abril, quando serão iniciadas as obras das primeiras 26 microbacias que já contam com projeto definido. Os trabalhos de conservação de solos, água e biodiversidade a partir da microbacia serão financiados pelo Banco Mundial, atendendo os requisitos para a prática de uma agricultura sustentável.

Até o final do próximo ano, 350 microbacias serão trabalhadas. Segundo a Emater, 143 delas já estão cadastradas. “Estes são os recursos naturais mais importantes e precisam de cuidado. Temos que garantir trânsito ao agricultor para que ele possa buscar insumos e escoar a produção, além de garantir a qualidade da água por meio de um manejo correto”, destaca Oromar João Bertol, coordenador do Instituto Emater, responsável pelo programa.

O coordenador explica, no entanto, que o programa não abrange apenas as obras, mas inclui também a educação ambiental dos produtores e de todas as instituições que dependem destes recursos. “É importante criar consciência no produtor rural, capacitar os atendentes locais e privilegiar a educação para que eles entendam que o solo precisa de cuidados especiais”, explica o secretário de Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara.

A preocupação com a conscientização do produtor decorre dos gastos e problemas recorrentes nos últimos anos. O governo já investiu algumas vezes nas áreas mais necessitadas, mas, confiando no plantio direto, os agricultores acabaram por retirar o terraço colocado, o que gera erosão, desgaste do solo e outros problemas no futuro.

O secretário explica que, por isso, a prioridade não é a quantidade de microbacias atendidas ou a velocidade com que as obras serão realizadas, mas sim a escolha da área, do produtor e a certeza da continuidade do trabalho a ser desenvolvido. “Temos que ser ágeis, mas também temos que escolher com cuidado onde aplicar o programa. As instâncias regionais têm que selecionar as áreas de maior risco e, principalmente, pessoas que se comprometam com o projeto para que não precisemos investir no mesmo chão novamente”, diz Ortigara.

As primeiras 26 microbacias a serem colocadas em práticas estão localizadas nos núcleos regionais da Secretaria da Agricultura e Abastecimento em Londrina, Francisco Beltrão, Cascavel, Maringá, Pato Branco, Toledo, Umuarama, Cornélio Procópio, Laranjeiras, Paranavaí e Apucarana.

O PROGRAMA – O programa de Gestão Ambiental Integrada em Microbacias reflete a preocupação do Governo do Estado com o desenvolvimento sustentável e com a biodiversidade, demonstrando que há relação direta entre a importância da boa gestão do solo e a disponibilidade e a qualidade da água.

O programa fortalece a participação popular, capacita prefeituras e comunidades locais para a elaboração de projetos e na gestão do uso de microbacias hidrográficas, além de articular linhas de crédito para recuperação e manutenção das microbacias. O programa visa, ainda, concentrar na microbacia a implementação de todos os demais programas da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, como o de adequação de estradas rurais, de aplicação de calcário, proteção de minas, de integração lavoura, pecuária e floresta, entre outros, para que a microbacia seja um modelo de desenvolvimento sustentável para a região.