Foto ilustrativa

Um aposentado da Copel, de 68 anos, ficou surpreso quando, durante o exame para a renovação de sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH), ouviu do médico da clínica credenciada pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), o seguinte comentário: “O senhor está gordinho e precisa emagrecer, senão vou dar menos tempo de validade para a renovação de sua carteira”. O aposentado, que prefere não ter o nome divulgado, pesa 98 quilos e tem 1,70 cm, o que significa um índice de massa corporal de 33 (Obesidade grau 1). Ele disse que se sentiu discriminado.

“Se o médico me falasse que iria me dar um prazo de validade da carteira menor por causa da minha idade, até concordo pois tenho 68 anos, mas dar um prazo menor porque estou acima do peso, isso é uma discriminação. Tenho esse peso há 30 anos e quando fui mostrar pra ele todo os meus exames no check-up que acabei de fazer, ele nem quis ver”, reclama o aposentado.

A carteira do examinado é categoria D, o que lhe dá direito a dirigir vans e ônibus. O Detran, por meio da assessoria, informou que a resolução de trânsito é mais rigorosa com os candidatos às categorias C, D e E e que o IMC é um dos critérios analisados para suspeitar de distúrbios do sono, que são causa de aproximadamente 30% dos acidentes de trânsito no mundo. “As pessoas com evidências deste distúrbio poderão ser aprovadas com redução do tempo de validade ou serem orientadas a buscar um diagnóstico mais preciso e o tratamento de sua patologia”, informou o órgão em nota.

Segunda surpresa

Na mesma consulta, outra declaração do médico causou surpresa no aposentado. “O médico disse que reprovei no exame de vista e me disse que se eu concordasse em baixar a categoria da minha carteira de D para B, até 9 passageiros, poderia ser aprovado. Daí perguntei pra ele: então quer dizer que se eu colocar em risco a vida de até 9 pessoas tudo bem, mais não?”, questionou. Segundo o aposentado, que é ouvinte da Banda B, o médico não respondeu. Ele saiu da clínica e fez um exame em um oftalmologista particular e fez outro exame de vista, que lhe deu total condições de visão com laudo por escrito. De qualquer forma, ele sabe que terá que fazer novo teste junto ao Detran.

A assessoria do Detran não se manifestou sobre a proposta do médico de baixar a categoria da CNH do motorista, diante da reprovação no exame de vista. Em nota, apenas reiterou que as exigências para os portadores de carteiras C, D e E são maiores. “Quanto ao exame de aptidão física, informamos que o mesmo é regulamentado pela Resolução do Conselho Nacional de Trânsito de número 425/2012, que especifica uma série de critérios de saúde que podem variar para as diversas categorias de veículos. Assim, visando mais segurança no trânsito, as categorias de maior peso do veículo ou com maior capacidade de transporte de pessoas as exigências são maiores. O condutor com sensibilidade visual insuficiente poderá não enxergar uma placa de sinalização no tempo necessário para frear seu veículo e evitar um acidente”, diz a nota.

O Detran informa ainda que, de acordo com as resoluções 168 e 267 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a CNH deve ser renovada a cada 5 anos para condutores até 65 anos. A partir dos 65 essa renovação passa a ser a cada três anos, ou menos, de acordo com a avaliação médica para cada caso específico.