Com o tema “Clima, saúde e alimentos: desafios da ciência na América do Sul”, aconteceu nesta segunda (13) e terça-feira (14), na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, o 6º Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência 2013. Foram discutidos assuntos ligados às mudanças climáticas e inovação para a produção de grãos; neurociência; novas tecnologias e seus limites; e desafios na cooperação da América Latina.

Segundo o secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luiz Antônio Elias, os encontros preparatórios são importantes porque dão transparência às políticas públicas, discutem com a sociedade os temas mais significativos para a região, fazem uma análise de tudo que foi construído até agora e de qual é o futuro da ciência no Brasil.

“Tiraremos propostas e ações para melhorarmos e avançarmos no aperfeiçoamento, cada vez maior, de políticas públicas. É muito importante esta mobilização que estamos fazendo na sociedade e no meio científico para pensar as etapas de construção das políticas de ciência e tecnologia”, explicou.

A sessão “Tecnologia, Ética e Educação em Saúde”, teve como moderador o presidente da Fundação Araucária, Paulo Brofman. “É preciso investir no professor para difundir o novo conceito de universidade de pesquisa. Por isso é importante que haja uma transformação da escola em laboratório de pesquisa e produção do conhecimento”, disse. “Também devemos sempre considerar que a tecnologia faz parte da nossa vida e contribui como suporte para o bem estar do ser humano. Portanto, aqueles que têm compromisso com a ciência não podem esquecer a principal parte disso que é a ética”, afirmou Brofman.

Esta é a primeira vez que um país fora da Europa sediará o Fórum Mundial de Ciência, que tradicionalmente acontece na Hungria. Uma oportunidade de colocar o Brasil no centro da ciência internacional. “Nós temos avançado muito em ciência e tecnologia, sobretudo nas últimas décadas, e isso tem o reconhecimento internacional. Nós temos o desafio agora de ir mais longe e não podemos esquecer do fortalecimento da ciência básica. Nós estamos ocupando cada vez mais o cenário internacional, o que nos permite, por exemplo, trazer “cérebros” para o Brasil. No passado perdíamos cérebro e agora está acontecendo o inverso. Acontecimentos como o Fórum contribuem para isso”, ressaltou o presidente da Academia Brasileira de Ciência, Jacob Palis Júnior.

De acordo com o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães, é importante aproveitar a realização do evento para mostrar à comunidade científica todas as conquistas alcançadas, já que o Brasil ocupa o 13º lugar no ranking da ciência no mundo. “Quando a Capes foi fundada, em 1951, o Brasil importava alimentos. Hoje, nós somos os maiores produtores de alimentos do mundo. Temos a terceira maior empresa de produção de aeronaves, temos a Petrobrás. Tudo que deu certo no país passou pela ciência e pela pós-graduação, formação de recursos humanos. Esse é o nosso desafio, formação de recursos humanos”, disse.

O encontro em Porto Alegre foi o penúltimo antes da realização do fórum internacional. O último será realizado em Brasília, no mês de junho. O Fórum Mundial de Ciência será realizado nos dias 25 e 26 de novembro, no Rio de Janeiro.

PROMOÇÃO DA CIÊNCIA – O Brasil ocupa o 13º lugar na ciência no mundo e as Fundações e Entidades de Apoio à Pesquisa (FAP´s) tiveram um papel muito importante na conquista desta posição. Atualmente existem 26 entidades no país. Destas, 19 têm parceria com a Capes.

Segundo o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Jorge Almeida Guimarães, as FAP´s são uma invenção brasileira que contribuem e muito para o desenvolvimento da ciência e tecnologia. “Uma das vantagens do acordo com a Fundação é que ela sabe quais são os seus problemas locais, por isso otimiza a utilização destes recursos. Por meio da parceria nós estimulamos a gestão estadual nesta busca por mais parceiros, porque os grandes beneficiados são os próprios estados, que terão o retorno do investimento nestas pessoas que atuam na pesquisa. No Paraná a situação é muito boa. O Governo do Estado entendeu a importância disso e dá todo o apoio para a Fundação Araucária” disse.

O Brasil tem 1,9 doutores por mil habitantes. Países como Canadá e Austrália, têm 6 doutores por mil habitantes. Mais avançados ainda estão Estados Unidos, Alemanha e Suíça onde o número gira em torno de 23. “Esse é um grande desafio, porque é através da formação de recursos humanos que se desenvolve ciência. Priorizamos este tipo de investimento na Fundação Araucária. Por isso, grande parte de nossos recursos é disponibilizada para a pós-graduação”, explicou o presidente da Fundação Araucária, Paulo Brofman.

O presidente da Academia Brasileira de Ciência, Jacob Palis Júnior, ressaltou o importante desempenho das FAP´s. “Sem estas iniciativas nós não podemos ir muito longe. Não podemos depender só de ministérios e agências de governo, que também são fundamentais. A contribuição da iniciativa privada e de fundações é que fortalece o sistema de maneira permanente”.

APOIO – A Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná é uma organização privada de interesse público, ligada à Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior. Suas ações são operacionalizadas por meio de Chamadas Públicas de Projetos e avaliação de mérito científico feita por pares. Esse trabalho se dá mediante estreita relação com as instituições de ensino superior federais, estaduais, municipais e privadas sem fins lucrativos e com institutos de pesquisa.

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