A Fundação Araucária, vinculada à Secretaria Estadual da Ciência e Tecnologia e que investe e apoia pesquisas e inovação, está oferecendo 15 bolsas para professores desenvolverem projetos de pós-doutorado em empresas privadas. Eles receberão R$ 5,8 mil por mês durante três anos. Esta é a segunda edição do programa, que é desenvolvido em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e com Centro Internacional de Inovação do Senai.

O presidente da fundação, Paulo Brofman, destaca que a primeira edição contemplou projetos que estão sendo desenvolvidos tanto em micro e pequenas empresas como em empresas de porte nacional e internacional. “Queremos estimular esta inserção para o desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica nestes locais. Iniciativas como estas beneficiam o pesquisador e a empresa e, também, direta ou indiretamente toda a comunidade, já que o projeto não fica só no meio acadêmico, mas também é transformado em produto ou serviço para a sociedade”, afirma.

O coordenador geral de programas estratégicos da CAPES, Manoel Santana Cardoso, lembra que doutores em empresas no Brasil é algo muito recente em relação ao que acontece em outros países. “Ainda falta diálogo entre as partes. É preciso aproximar o pesquisador, o empresário e o Estado. Desta forma, todos acabam percebendo o tamanho do benefício que terão”, avalia.

Cardoso enfatiza, ainda, que o Paraná é muito atuante em pesquisas, mas, como acontece em todo o país, tem um potencial que o setor industrial ainda não percebeu. “Não se faz pesquisa sem recurso. O governo federal e alguns governos estaduais, a exemplo do Paraná, vêm investindo em PDI (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação); porém, é necessário que haja mais recursos também do setor privado”, defendeu.

CASO DE SUCESSO – O Paraná já conta com casos de sucesso a partir da utilização desses bolsistas, como por exemplo, a empresa Arauco Forest Brasil S.A. A empresa usa como matéria-prima pinus e eucaliptos para a produção de painéis e pisos de madeira. “Enfrentávamos um grande problema com relação ao uso de agrotóxicos no combate de formigas cortadeiras. Com o trabalho da nossa bolsista alcançamos ganhos ambientais e econômicos, pois conseguimos diminuir o uso desses produtos”, informa o gerente do setor de pesquisa da empresa, Rodrigo Coutinho.

A bióloga e doutora em Entomologia Mariane Nickele, pesquisadora que atua na Arauco, descobriu sete espécies diferentes de formiga cortadeira, apesar de ter iniciado há pouco o trabalho. “Com isso, podemos identificar o momento e a quantidade adequada para aplicação dos agrotóxicos, sem causar danos ambientais e aumentando a qualidade daquilo que é produzido”, explica.

De acordo com o secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alípio Leal, o programa de bolsas Pós-Doc, especialmente no momento que o Paraná está vivendo e com os benefícios trazidos pela Lei Estadual de Inovação, vem fortalecer a aproximação tão necessária do setor produtivo e do meio acadêmico. “A Fundação Araucária é o nosso braço forte para apoiar o desenvolvimento, buscando recursos para fortalecer o setor produtivo na área da ciência e tecnologia, gerando inovação”, destaca.

O deputado federal e integrante da comissão de elaboração do novo Código Nacional de Ciência e Tecnologia, Alex Canziani, ressalta o círculo virtuoso que a iniciativa gera. “Com esse programa, as empresas são beneficiadas, inovando produtos e processos e, consequentemente, isso acarreta o desenvolvimento do Estado e país”, avalia.

O edital do Programa de Bolsas de Pós-Doutorado em Empresas estará disponível no site www.fundacaoaraucaria.org.br em breve.

Saiba mais sobre o trabalho do governo do Estado em:

www.facebook.com/governopr e www.pr.gov.br