Antônio Nascimento/Banda B
Até então diretores do hospital não se manifestaram sobre as novas prisões que aconteceram ontem

Os funcionários do Hospital Evangélico se reuniram no final da manhã deste domingo (24) para promover um abraço simbólico em torno do prédio do hospital, que fica no bairro Bigorrilho em Curitiba. A manifestação, de acordo com os organizadores, é em defesa da instituição, dos profissionais e representa o carinho e o orgulho pelo hospital que há 53 anos trabalha na excelência dos atendimentos. Também estão presentes alunos da Faculdade Evangélica.

Antônio Nascimento/Banda B
Funcionários e alunos do Evangélico

Centenas de pessoas deram às mãos por volta das 11h40. Ao meio dia eles rezaram a oração do Pai Nosso. Ainda, segundo eles, o manifesto não representa apoio os envolvidos e presos durante a semana. “Cabe à Justiça decidir e julgar, estamos aqui para promover a união entre os funcionários e o carinho que temos pela Instituição”, disse um dos manifestantes.

Osecretárioestadual daSaúde, MicheleCaputoNeto, esteve presente no manifesto para apoiar a instituição. “São anos de história que deve ser mantida e defendida pelo Governo. Somos a favor das investigações com certeza, mas não podemos esquecer que o Hospital é referência em atendimento de pronto-socorro. Não podemos deixar que este fato sobreponha estas denúncias”, defendeu o secretário em entrevista à Banda B.

O médico Fernado Macedo, vice-presidente da Associação Médica Brasileira, contou que se formou na Evangélica e fez residência no hospital. “meu filho é cirurgião tenho. Este Hospital tem uma história que precisa ser zelada. Sem este hospital a saúde do Estado se desestruturaria”, aponta.

Até então diretores do hospital não se manifestaram sobre as novas prisões que aconteceram na manhã deste sábado (23). A expectativa dos funcionários é que a direção se manifeste sobre os novos mandados de prisão cumpridos pela Justiça depois do abraço simbólico.

O Evangélico está sendo alvo de investigações, segundo o Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa), há um ano. Denuncias apontam que a médica Virgínia Soares Souza, chefe da Unidade de Tratamento Intensivo, abreviava a morte de alguns pacientes internados na Unidade. Ontem, outros quatro mandados de prisão de três médicos e um enfermeiro foram cumpridos por policiais do Nucrisa.

Sem especialização

A Polícia Civil afirmou em nota oficial que a médica Virgínia Soares Souza, presa desde a última terça-feira, não tinha especialização para o cargo que ocupava no Hospital Evangélico. Segundo a delegada titular do Nucrisa, Paula Brisola, ficou esclarecido que a médica exercia de fato a função de diretora da UTI, mas ela não é intensivista, por isso quem assinava por ela como chefe da UTI era outro médico.

Outras instituições

A Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde Pública de Curitiba e o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção à Saúde Pública, do Ministério Público do Estado do Paraná, reuniram-se neste sábado com representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná e do Conselho Federal de Medicina, para tratar da situação do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, após as denúncias que vêm sendo apuradas pela Polícia Civil. Todas as instituições presentes demonstraram que estão atentas à continuidade da boa prestação dos serviços oferecidos pelo hospital. Dessa forma, a Promotoria e o Centro de Apoio vêm afirmar que as investigações que têm sido noticiadas pelos meios de comunicação, por certo, não afetam a qualidade técnica dos serviços prestados no HUEC, em quaisquer de seus setores, podendo a população a eles ter acesso normalmente, ressaltando que os médicos, enfermeiros e demais profissionais que atuam no Hospital cumprem com dedicação seus deveres de assistência aos pacientes, como em qualquer instituição de saúde.

Antônio Nascimento/Banda B
Manifesto é em favor da institutição e não para os envolvidos no caso: “Justiça que julgue”