Por Elizangela Jubanski e Djalma Malaquias

Fábrica da Peccin no bairro Umbará, em Curitiba. Foto: DM/Banda B

Os funcionários do frigorífico Peccin vão se mobilizar na tarde desta quinta-feira (23) contra o fechamento da fábrica no bairro Umbará, em Curitiba, durante as operações ‘Carne Fraca’ da Polícia Federal. Para eles, as denúncias são infundadas e trazem prejuízo aos colaboradores. Na manhã de hoje, eles pararam as atividades e mantiveram funcionando apenas áreas de conservação. A promessa é que uma grande manifestação, envolvendo cerca de 500 pessoas, aconteça na tarde de amanhã.

Um dos funcionários que estava na entrada da empresa confirmou à Banda B o movimento interno que acontece na fábrica. “Está tudo mundo parado. A manutenção está sendo feita, é óbvio, porque o maquinário não pode parar, senão o que está armazenado em local adequado se perde. Mas são poucos trabalhando, no total tem mais de 500 funcionários nas duas unidades. Estamos aqui trabalhando e nunca encontramos absolutamente nada de errado, sempre foram muito exigentes e a gente está aqui para defender a família Peccin”, disse.

Entre as marcas gigantes que estão sendo investigadas como JBS e BRF – que controlam marcas como Seara, Perdigão e Friboi – exitem frigoríficos menores como Master Carnes, Souza Ramos e a Peccin, que tem outra fábrica em Jaraguá do Sul, Santa Catarina. A Peccin produz derivados de frango, porco e embutidos em geral, com as marcas Peccin e Itali alimentos. As autoridades não detalharam quais irregularidades foram cometidas por cada empresa.

A revolta dos funcionários é quanto à falta de informação sobre o fechamento. “São denúncias infundadas, que não se sustentam e quem está sendo prejudicado com isso é a nossa família que depende do nosso trabalho, do nosso salário e que agora querem fechar. Trabalho aqui há dez anos, a fiscalização sempre vinha e tudo que era exigido era cumprido”, defendeu outro colaborador.

“A gente fala família porque é uma relação assim mesmo com a empresa. O chefe é muito próximo, fica no pátio aqui com a gente, cumprimenta, não é aquela empresa que você nem vê quem é. Ele senta no refeitório e almoça com a gente. Estamos todos revoltados. A carne é a mesma que levamos para dentro de casa para nossas famílias. Participamos de tudo aqui, isso é injúria. Cadê essa carne podre que foi encontrada que nunca ninguém viu aqui”, finaliza uma funcionária que garantiu participar dos protestos a favor da empresa.

Nota

Assim que teve ciência sobre o nome envolvido na operação, a Peccin divulgou uma nota de esclarecimento, disponível por meio do site oficial da marca. Segue na íntegra:

“A PECCIN AGRO INDUSTRIAL LTDA. vem a público comunicar, em razão da operação Carne Fraca, da Polícia Federal, realizada ontem, dia 17 de março, sua grande surpresa, consternação e forte repúdio as falsas alegações que culminaram com a prisão preventiva de seus diretores, esclarecendo o seguinte:

1. A PECCIN AGRO INDUSTRIAL LTDA. tem amplo interesse em contribuir com as investigações, em busca da verdade, estando inteiramente à disposição das autoridades policiais para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários;

2. A PECCIN AGRO INDUSTRIAL LTDA. declara que estão confiantes de que os órgãos competentes saberão discernir a efetiva veracidade dos fatos que ora se alegam, ainda, conclama pela paciência e serenidade da sociedade para o esclarecimento dos fatos verdadeiros;

3. Por isso a PECCIN AGRO INDUSTRIAL LTDA. lamenta a divulgação precipitada de inverdades sobre o seu sistema de produção, sendo que as informações repassadas ao grande público foram no afã de justificar os motivos da operação “Carne Fraca”, modificando os fatos e comprometendo a verdade.

4. Por fim a PECCIN AGRO INDUSTRIAL LTDA., esclarece que que não tem qualquer vínculo comercial ou societário com a Peccin S/A, indústria gaúcha de doces e chocolates”.