O anúncio da nova tarifa do transporte da Rede Integrada de Transporte (RIT) seria feito nesta sexta-feira (8) pelo prefeito Gustavo Fruet, mas a divulgação foi cancelada. Isso porque, segundo a prefeitura de Curitiba, não há como definir o valor do reajuste sem saber qual o índice de correção será aplicado nos salários de motoristas e cobradores.

Até agora, não houve acordo entre o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), e as empresas. Na quarta-feira (6), os trabalhadores deram um prazo máximo de 48 horas para que o sindicato patronal apresente uma proposta que atenda as expectativas e, caso ela não venha até hoje, será convocada assembleia geral da categoria para a próxima semana, que pode deliberar greve geral no transporte público da capital.

Os motoristas e cobradores do transporte público de Curitiba pedem reajuste salarial de 30% e reajuste de 100% no valor do cartão alimentação. Até o momento, as empresas oferecem apenas a reposição da inflação, de 6,19%. A definição do reajuste de motoristas e cobradores é um dos principais fatores que vão influenciar a definição da nova tarifa do transporte em Curitiba e região. Hoje, a tarifa é de R$ 2,60, mas após o anúncio de fim de subsídio pelo governador Beto Richa, o novo valor da tarifa será divulgado na próxima semana.

O prefeito Gustavo Fruet já disse que o valor não deve passar de R$ 3,05, que seria a tarifa técnica.

Fila para pagar menos

Enquanto isso, centenas de pessoas fazem filas todos os dias na sede da Urbs para carregar créditos de passagens de ônibus a R$ 2,60. Ontem, nos guichês da Rodoferroviária havia cerca de 200 pessoas na fila. Mas o tempo médio de espera não era grande. Em média, as pessoas ficavam cerca de 20 minutos na fila dos cinco guichês. Para esta sexta-feira, a expectativa é que as filas fiquem ainda maiores. Os créditos podem ser adquiridos diretamente na sede da Urbs, localizada na Rodoferroviária, e também pela internet, no site www.urbs.curitiba.pr.gov.br.

Comissão

A prefeitura de Curitiba publicou no Diário Oficial do município decreto que cria a Comissão de Análise da Tarifa do Sistema de Transporte Coletivo de Passageiros do Município de Curitiba. O decreto atende à determinação do prefeito Gustavo Fruet para que o assunto seja tratado com transparência e de acordo com critérios técnicos. Além de integrantes da administração municipal, a comissão terá representantes do Ministério Público, da Câmara Municipal de Curitiba, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP).

A criação da comissão faz parte do processo de abertura das discussões sobre o tema para a sociedade. Em fevereiro, cerca de 300 pessoas participaram de uma audiência pública promovida pela Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs) para debater o reajuste anual no valor da tarifa. A ideia agora é ampliar a discussão, avaliando de forma mais ampla o modelo vigente.

“A abertura dessa discussão é uma reivindicação antiga da sociedade curitibana e da região metropolitana, que nunca teve acesso aos detalhes relacionados à definição da tarifa do transporte coletivo. Dar transparência a esse tema é um compromisso que assumimos e estamos cumprindo”, disse o prefeito Gustavo Fruet.

A comissão criada pelo decreto terá a atribuição de avaliar a metodologia e os procedimentos para cálculo tarifário estabelecidos nos contratos de concessão do transporte coletivo vigentes no município. A partir disso, deverá elaborar um relatório com conclusões e recomendações. De acordo com o decreto, a comissão também “definirá a forma como se dará a participação da sociedade no desenvolvimento dos trabalhos, bem como os procedimentos que deverão ser adotados para a formalização das sugestões advindas dessa participação”.

A comissão será presidida pelo presidente da Urbs, Roberto Gregório da Silva Junior, e tem prazo de 90 dias, prorrogáveis, para concluir o trabalho. Os demais integrantes ainda serão indicados.