Por Elizangela Jubanski 

garoto-montagem-dentroA foto de um menino no portão de uma casa, no bairro Osasco em Colombo, na região metropolitana de Curitiba, com um alerta na legenda viralizou na última semana. O garoto é clicado vestindo um moletom de capuz, do lado de fora de uma casa com portões de grade, com expressão de tristeza. Segundo a legenda, ele pede comida, mas ameaça os moradores com uma faca e, com a ajuda de outras pessoas, entra na residência para roubar. O pedido é que as pessoas não se deixem enganar pelo rosto inocente.

A história do menino começa muito antes da febre dos compartilhamentos nas redes sociais e, sobretudo, longe de ser exclusiva no contexto social do país emergente. De maneira reversa do tradicionalismo, foi junto da mãe que L.G.S, 12, conheceu a criminalidade, ainda com pouca idade. Filho de um casal viciado em drogas, o garoto foi cedo às ruas entender como funcionava a moeda de troca daqueles que nada tem a oferecer – o furto e o roubo. Distante do aprendizado das salas de aula, da estrutura familiar de acolhimento e de bons exemplos, a fatia da delinquência tomou conta.

A mãe engravidou novamente e, em um flagrante na região metropolitana, foi encarcerada e cumpre pena no sistema prisional do Estado. O episódio marcou o primeiro internamento do garoto em uma clínica de reabilitação, sob os cuidados da rede de proteção do Conselho Tutelar de Colombo.

“Foram 45 dias de internamento em uma clínica de Maringá. Pela situação de vulnerabilidade que ele foi encontrado tivemos de aplicar a medida extrema, que é o acolhimento, já no primeiro atendimento. O Ministério Público acatou nossa denúncia e passou ao Judiciário, e isso tudo gerou um processo. Como na época ele ainda era criança, foi levado a essa clínica de psiquiatria para fazer a desintoxicação”, explicou o conselheiro Jeremias Fontoura 3º Colegiado de Colombo, em entrevista à Banda B.

Às ruas, de novo, L.G.S chegou a morar com o pai, onde conheceu outras drogas e bebidas alcoólicas. As infrações cometidas pelo garoto não foram oficializadas – não há registros oficiais sobre furtos, roubos ou outros delitos, embora também não seja descartada a prática nas ruas, em busca de comida e sustento ao vício.

Na noite de domingo, o garoto foi encontrado em condições péssimas de saúde, com poucas roupas e com sinais visíveis do uso de entorpecentes. O Conselho Tutelar do município interveio e acionou o internamento dele na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Alto Maracanã. Somente no mês passado, foram quatro tentativas de internamento sem sucesso.

Ainda que o medo seja presente pela falta de estrutura na segurança pública, o garoto de capuz  que teve a foto compartilhada no portão de uma casa dispensa a negligência de uma sociedade excludente. “Somente circular nas redes sociais só faz aumentar aquilo que, sendo verdade ou não, não se tenha conclusão. É obrigação um comunicado ao Conselho Tutelar ao ver uma criança ou adolescente em situações degradantes”, finaliza o conselheiro, que não sabe como o boato de assalto tomou conta das redes sociais.