A cobrança dos torcedores em relação ao desempenho dos técnicos no futebol brasileiros cada dia aumenta mais, principalmente, em equipes que se cobram títulos.

Tenho observado, no entanto, que, na maioria das vezes, os dirigentes mesmo tendo consciência da limitação das equipes que administram preferem substituir o comandante a legitimar o compromisso de contração de jogadores para a posição de maior carência de uma qualidade positiva. Ou se não é possível contratar atletas decisivos para a necessidade detectada, que trate com a clareza que a situação exige, para que o torcedor entenda o processo em questão e pare de agredir gratuitamente o técnico.

Um exemplo mais recente desse tipo de administração equivocada do problema foi à saída do técnico Dorival Júnior do Flamengo. Ora, o time carioca não tem a qualidade que dele se cobra, mesmo assim o treinador dançou. Outro fato acorrido foi no Palmeiras que, no ano passado, ganhou a Copa do Brasil contra o Coritiba. Naquela oportunidade, o volante ofensivo Marcos Assunção fez a diferença em cobranças de faltas. Quando ele se contundiu, durante o campeonato brasileiro, o time paulistano ficou comum e o técnico Felipão foi dispensado. A consequência de tudo isso? O Palmeiras foi amargar a segunda divisão.

O pior é que, em todas as situações dessa natureza, o argumento tem sido o mesmo: “precisamos criar um fato novo”. Que diabo de fato novo é esse que sempre se repete e cruelmente acaba estourando em cima do treinador? Brincadeira!

Enfim, o trabalho dos técnicos, durante a semana, desenvolve-se basicamente da mesma maneira. Digo isso porque já fui auxiliar técnico e por mim já passaram Otacílio Gonçalves, Rubens Minelli, Márcio Araújo, Abel Braga, Cláudio Duarte e por aí vai… Quer saber de uma coisa? Na realidade, quando a bola rola quem faz a diferença é o jogador. É isso.