Por Marina Sequinel

(Fotos: Banda B)

Famílias que perderam tudo por causa das fortes chuvas que atingiram Curitiba nesta quarta (21) e quinta-feira (22) decidiram fechar a Rua Eduardo Sprada no começo da tarde de hoje. Eles queimaram galhos e pneus na altura do cruzamento com a José Baggio, onde moram, no bairro Campo Comprido.

“Eu estou revoltada. A minha casa foi levada pelo rio, não sobrou nada, eu só consegui salvar uma sacola de documentos, toda molhada. Eu não quero uma ajuda para hoje, eu quero uma casa para morar e abrigar os meus três filhos”, desabafou a moradora Tatiane Fagundes em entrevista à Banda B.

Segundo ela, a população já procurou a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) e também a prefeitura por meio do telefone 156. “Depois que fizeram um aterro para um condomínio de luxo aqui perto, nós fomos prejudicados. A Rua José Baggio está perdida, não temos asfalto, esgoto e várias pessoas estão desabrigadas. Na hora de buscar voto, os políticos aparecem na porta da nossa casa, mas em situações como essa, desaparecem”, comentou Eliane de Jesus Andrade, que também vive na região.

O morador Rodrigo Fidelis afirmou que toda vez que chove as pessoas entram em desespero, principalmente por causa das enchentes que atingem o rio que fica próximo da rua. “Com qualquer chuvinha a água entra nas residências. Ontem foi terrível, nós precisamos de ajuda”, declarou.

O outro lado

De acordo com a administradora da Regional Santa Felicidade, Maria José, desde 2013, mais de 40 famílias já foram relocadas da área onde ocorre a manifestação para outros locais pela Cohab. No entanto, três delas não quiseram deixar as casas. “Muitas pessoas foram transferidas para as unidades habitacionais Iguaçu III, Ganchinho e Aroeira. Infelizmente, essas três foram resistentes e insistiram em permanecer em um lugar sujeito a alagamento toda vez que chove, já que se trata da beira de um córrego”, disse ela durante entrevista ao radialista Geovane Barreiro no Jornal da Banda B.

Além dessas famílias, mais três teriam voltado à Rua José Baggio depois de serem relocadas. “Outra orientação que nós fazemos é que, ao receber uma unidade da Cohab, que é um lugar tranquilo e seguro, as pessoas não devem vendê-la e voltar ao local de origem, onde o risco é permanente. É importante dizer que nós estamos atendendo as famílias desde ontem, com doações de colchões, cobertores e roupas”, concluiu ela.