Por Marina Sequinel e Danaê Bubalo

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(Foto: Danaê Bubalo – Banda B)

Familiares do menino João Rafael Kovalski se reuniram neste sábado (16) na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, para realizar uma manifestação pelas crianças desaparecidas. O objetivo do ato, segundo os participantes, é impedir que o caso dele e de tantas outras pessoas na mesma situação não sejam esquecidos pelas autoridades.

“Devido a alguns últimos acontecimentos, o sumiço do João voltou à mídia e nós queremos fazer o máximo para cobrar respostas da polícia e de todos os envolvidos. Por isso nos reunimos aqui hoje”, explicou o tio de João, Osni Souza de Oliveira, em entrevista à Banda B.

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Mãe de Marcelo não tem mais esperança de ver o filho vivo, mas quer saber onde ele está. (Foto: Danaê Bubalo – Banda B)

Muitas mães na mesma situação também participaram da manifestação. A maioria delas tem filhos, já adultos, desaparecidos há anos. É o caso da Rosângela de Fátima Nunes, mãe de Crysthyan, que sumiu em 2010, depois de avisá-la, por telefone, que estava voltando para casa após o trabalho. “Ele nunca mais apareceu. Recentemente, recebemos uma pista de que ele estaria em São Paulo, mas a Secretaria de Segurança negou verba para que os policiais fossem até lá investigar”, disse ela.

Rosângela tem certeza de que o filho está vivo. “Meu coração de mãe diz que ele ainda está por aí e eu sinto muito a falta dele. Preciso de respostas”, completou. Esse mesmo sentimento de conexão é compartilhado por Anadir Alves de Jesus, mãe de Marcelo Camargo. “No meu caso, eu sei que ele está morto, porque era usuário de drogas e tinha muitos problemas. Mesmo assim, eu quero ter certeza de onde ele está, para descansar em paz”.

Marcelo desapareceu no dia 17 de outubro de 2009. Anadir chegou a receber a informação de que ele estaria enterrado em um cemitério clandestino no bairro Tatuquara, mas a pista nunca foi averiguada pela polícia. “Não tenho mais esperanças de encontrá-lo vivo, mas tenho o direito de saber o paradeiro dele”, concluiu.

Jandira Schoel, mãe que prometeu acampar em frente ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) para reaver os três filhos retirados, também compareceu à manifestação. A alegação judicial afirmou que ela sofre da Síndrome de Münchausen, que a leva a criar doenças nos filhos aplicando remédios sem prescrição. “Eu sou vítima de um diagnóstico errado e, com a minha determinação, consegui avançar as negociações com o promotor do Ministério Público. Por isso, estou aqui. Meus filhos também estão desaparecidos para mim e eu os quero de volta”, relatou.

Caso João Rafael

João Rafael desapareceu no dia 24 de agosto do ano passado e foi visto pela última vez em uma chácara em Adrianópolis, na região metropolitana de Curitiba, enquanto brincava próximo a um rio. Dias depois, um boné foi encontrado a cerca de 300 metros do rio, mas os familiares disseram que o objeto não pertencia ao menino. Desde o sumiço, várias hipóteses foram levantadas. Recentemente, a polícia começou a investigar um suposto envolvimento da ex-babá da criança, mas, até agora, nada foi confirmado.

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