Por Felipe Ribeiro e Flávia Barros

O ex-reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Zaki Akel Sobrinho, prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (15) sobre o esquema criminoso que desviou mais de R$ 7,5 milhões de pagamentos de bolsas. Na sede da Polícia Federal, ele afirmou que está tranquilo quanto a uma possível responsabilidade relacionada à negligência na fiscalização e garantiu que se empenhou e forneceu todas as informações para que os suspeitos fossem descobertos.

Zaki Akel se disse tranquilo com investigação (Foto: Flávia Barros – Banda B)

“De parte da universidade, eu posso assegurar que temos inúmeras formas de controle e sempre trabalhamos nos oito anos que fui reitor com transparência, com controle social e abertura da universidade, sempre em parceria com o TCU (Tribunal de Contas da União) e a Controladoria-Geral da União. Portanto não quero entrar em confronto com órgãos de controle. Já apresentei minha participação no processo e mostrei com toda a clareza o quanto me empenhei para exatamente quando sentimos a dificuldade, partir para a responsabilização e ações imediatas e concretas, estou absolutamente com a consciência tranquila”, disse.

Pela manhã, agentes da Polícia Federal e do TCU criticaram a fiscalização da própria UFPR no monitoramento de suas contas. O delegado Felipe Hayashi confirmou que a própria universidade levou a denúncia, mas disse que quando a denúncia foi feita, o TCU já estava apurando as fraudes. “Em nenhum momento, o controle interno da universidade detectou essa fraude. Só a partir daí, ela começou a apurar internamente as irregularidades”, afirmou.

Na coletiva ocorrida durante a tarde, Akel disse ainda esperar que os culpados apareçam.

“A UFPR é a maior vítima”

O atual reitor, Ricardo Marcelo Fonseca, também falou sobre a investigação. Segundo ele, a UFPR é a maior interessada de que tudo seja esclarecido. “Eu considero a universidade uma vítima. A sindicância criada na gestão anterior segue trabalhando para apurar os fatos do ponto de vista administrativo interno. Foi criado para um controle e transparência maior sobre tudo o que é pago dentro da universidade”, garantiu.

O esquema

De acordo com a PF, o prejuízo com o esquema ultrapassa R$ 7,5 milhões. Os donos das contas onde o dinheiro era depositado, segundo o apurado pela polícia, iam de cabeleireiros a taxistas, sem qualquer vínculo com a instituição.

No total, 29 mandados de prisões temporárias foram expedidos pela Justiça Federal do Paraná. Há hipótese que, entre os beneficiários, estejam alguns intitulados como ‘laranjas’, alguém que “empresta” o nome para ocultar a origem ou o destinatário de dinheiro ilícito.

Durante a operação foram presas Tânia Maria Catapan, que é secretária executiva da pró-reitoria de pesquisa e pós-graduação da UFPR, e Conceição Abadia de Abreu Mendonça – chefe do setor de orçamento e finanças do mesmo setor. As prisões têm prazo de cinco dias e podem ser prorrogadas pelo mesmo período ou convertidas para preventivas, que é quando os presos ficam detidos por tempo indeterminado.