Da Redação com TCE-PR

O ex-governador Orlando Pessuti e dois secretários de estado de sua gestão, além do ex-procurador-geral Marco Antônio Lima Berberi, foram condenados a devolver R$ 3.133.133,53 aos cofres estaduais. De acordo com decisão do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) divulgada nesta quinta-feira (8), o julgamento se refere a um decreto que concedeu progressão por tempo de serviço a servidores sem previsão legal e em período vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pela legislação eleitoral. Os ex-secretários condenados são Maria Marta Renner Weber Lunardon, da Administração e Previdência, e Ney Amilton Caldas Ferreira, da Casa Civil.

pessuti

Foto: Divulgação

Segundo o TCE, além da devolução, os responsáveis foram multados no valor total de R$ 2.361.457,98. Pessuti recebeu a multa proporcional ao dano, fixada em 30%, de R$ 939.940,06 e outras duas de R$ 1.450,98, somando de R$ 942.842,02. Berberi, Caldas e Maria Marta Lunardon receberam, individualmente, a multa proporcional ao dano, fixada em 15%, de R$ 469.970,03 e outras duas de R$ 1.450,98, somando de R$ 472.871,99 para cada um.

As contas foram julgadas em processo de tomada de contas extraordinária, juntamente com os autos de representação do Ministério Público de Contas (MPC).

Além disso, as progressões funcionais concedidas não estavam previstas na lei que instituiu o quadro próprio de pessoal do Governo do Estado do Paraná, o que caracterizou afronta ao inciso X do artigo 37 da Constituição Federal.

O acórdão do Tribunal já havia decidido pela inconstitucionalidade do decreto, pois ele extrapolou sua função ao criar nova forma de progressão que não estava autorizada por lei. Portanto, o decreto autônomo inovou na ordem jurídica e desrespeitou disposição constitucional. Outra irregularidade diz respeito à implantação da vantagem financeira decorrente das progressões e o seu efetivo pagamento ainda no mês de dezembro de 2010.

Defesa

Os responsáveis alegaram em sua defesa que o decreto não teria inovado no ordenamento jurídico ao criar nova modalidade de progressão funcional; e que sua execução, por meio dos pagamentos das verbas dele decorrentes, teria ocorrido apenas em 2011. Eles também juntaram planilhas para demonstrar que os pagamentos não foram impugnados pela Secretaria Estadual da Fazenda.

Decisão

O relator do processo, conselheiro Ivens Linhares, concordou com a instrução da Coordenadoria de Fiscalização de Atos de Pessoal (Cofap) e com o parecer do MPC, que opinaram pelo provimento da tomada de contas, com imputação de débito e aplicação de multas. Linhares destacou que a documentação do processo é absolutamente clara e demonstra que houve o pagamento, em 30 de dezembro de 2010, de verbas especificamente referentes à implantação do Decreto nº 7774/10.

O relator afirmou que a decisão pela inconstitucionalidade do decreto confirma que houve inovação na ordem jurídica; e que o benefício foi efetivamente criado no período de vedação legal. Assim, ele aplicou aos responsáveis as sanções previstas nos artigos 85, 87 e 89 da Lei Orgânica do TCE-PR (Lei Complementar Estadual nº 113/2006).

Os conselheiros acompanharam o relator, com voto de desempate do presidente, conselheiro Ivan Bonilha, na sessão do Tribunal Pleno de 10 de novembro. O Acórdão nº 5666/16 – Tribunal Pleno, que traz a decisão, foi publicado em 29 de novembro, na edição 1.491 do Diário Eletrônico do TCE-PR.

Os interessados estão ingressando com recursos contra a decisão junto ao Pleno do TCE-PR. O ex-governador Pessuti interpôs Embargos de Declaração, que serão encaminhados ao conselheiro Ivens Linhares, relator da decisão original.

Outro lado

Referente a notícia, o ex-governado divulgou a seguinte nota:

Com relação à matéria divulgada no site do Tribunal de Contas do Estado do Paraná na data de 8 de Dezembro de 2016, bem como replicada em outros meios e veículos de comunicação, entitulada “Ex-governador Pessuti e ex-secretários estaduais devem restituir R$ 3,13 milhões”, primeiramente é necessário tornar claro que tais valores foram e estão, até hoje, incorporados aos salários e proventos de aposentadoria dos servidores do Quadro Próprio do Poder Executivo do Estado do PR atingidos pelo Decreto 7774/10.

Devido a já rotineira divulgação de notícias que tratam de desvios de valores e corrupção, a redação superficial da manchete pode induzir o leitor em erro, dando a entender que tais valores foram desviados dos cofres públicos. Repita-se: tais valores incorporaram salários de servidores.

É bom que se diga também que decisão do TCE se deu por maioria, por desempate do Presidente Ivan Bonilha, após uma longa discussão de mais de 7 meses, o que demonstra que a matéria é controversa e pode ter outra interpretação na fase recursal.
No nosso entendimento, o Decreto 7774/10 apenas regulamentou a lei 13666/02, que instituiu o QPPE, implementando progressões e

promoções que já eram de direito dos servidores mas que até então não tinham sido implementadas.
Não se trata de aumento de despesa com pessoal pois tais despesas, destinadas ao pagamento das progressões e promoções, já estavam previstas em lei desde 2002, e tinham previsão orçamentária para tanto.
Além do que, ao contrário do que a matéria diz, o Decreto 7774/10 foi convalidado em 2012, afastando qualquer dúvida quanto a sua validade.

Por fim, com o respeito devido, entendemos que o TCE não tem competência para aplicar penalidades com base na Lei Eleitoral, por se tratar de matéria absolutamente alheia à sua competência originária prevista na Constituição.
Informamos ainda que já entramos com um primeiro Recurso, de Embargos de Declaração, e, oportunamente, serão apresentados outros recursos que certamente irão reformar o entendimento dessa decisão.