Por Felipe Ribeiro e Antônio Nascimento

Apresentação do estudo aconteceu na sede da Associação Comercial do Paraná (Foto: Antônio Nascimento – Banda B)

As empresas responsáveis pelo transporte coletivo de Curitiba apresentaram, nesta sexta-feira (17), um estudo técnico que aponta perdas financeiras de até R$ 1,3 bi aos três consórcios vencedores da licitação firmada com a Urbanização de Curitiba (Urbs), em 2010. De acordo com o diretor-executivo das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana, Luiz Alberto Lenz Cesar, a perda do número de passageiros e o uso de gratuidades por pessoas que não possuem o benefício são alguns dos pontos que levaram o sistema ao estado em que está hoje.

“As empresas precisam de uma solução prática e não política. Já fomos ao Ministério Público para entregar o sistema, mas há de se cumprir um contrato. Todos os sacrifícios possíveis foram feitos durante esses anos e estamos na expectativa de que vamos encontrar uma solução. As empresas trabalham no vermelho há anos, como foi mostrado o estudo e precisamos de medidas imediatas para a redução de custos”, disse Lenz.

O estudo, elaborado pela Ernst e Young (EY) aponta perda de R$ 394,6 milhões ao consórcio Pontual, R$ 402,1 milhões ao Transbus e R$ 524,1 milhões ao Pioneiro. Segundo as empresas, as perdas acontecem principalmente pela queda da demanda e da não repactuação desta diminuição à tarifa técnica.

Como parte para a solução dos problemas, os empresários apontam o uso da tecnologia e analise das linhas para a redução custos com o sistema. “Queremos voltar a ter satisfação de ter o melhor transporte público do país. A cidade cresceu e precisamos ser mais ágeis, além de trazer novas tecnologias. Isso é trazer uma bilhetagem eletrônica mais rápida, com aplicativos; diminuir custos com estações-tubo; analisando linhas e otimizar o sistema, requalificar o cobrador e dar um maior acesso à compra de vale-transporte”, explicou Lenz.

O diretor-executivo aponta também uma maior necessidade por faixas exclusivas de ônibus, para dar mais agilidade ao sistema, e um sistema facial, para impedir que pessoas sem direito a benefícios se aproveitem sem custos.

Tarifa-técnica

Segundo Lenz, as empresas ainda não estão trabalhando com um valor de tarifa-técnica, uma vez que a negociação com os trabalhadores ainda está em andamento. “Não estamos tratando de tarifa-técnica, ela está sendo calculada diante de custos e situações que sejam apresentadas na convenção coletiva de trabalho, é preciso definir antes com os trabalhadores”, concluiu.

De qualquer forma, Lenz afirmou que esta tarifa não deve ser menor que R$ 4.

Na Justiça

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) contrariou decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e decidiu manter a tarifa de ônibus em R$ 4,25 em Curitiba. A decisão atende pedido da Prefeitura, que alegou ser abusiva a decisão do conselheiro Ivan Bonilha.

A decisão do TJ-PR foi publicada poucas horas após os conselheiros do TCE homologarem a cautelar que suspendia o reajuste da tarifa. Com a decisão daquele momento, o valor cobrado dos usuários do transporte coletivo deveria retornar a R$ 3,70.

A prefeitura alega que o reajuste é necessário para recompor o equilíbrio econômico-financeiro do sistema de transporte público e permite a retomada de investimentos que tragam melhorias para os passageiros.