Por Denise Mello e Antonio Nascimento

assembleia seguro

Assembleia realizada hoje de manhã na garagem do Parolin – Foto: Antonio Nascimento/Banda B

Vários ônibus do Circular Sul,  Ligeirão entre outras linhas que circulam em Curitiba e região metropolitana atrasaram na manhã desta segunda-feira (14) em razão de uma assembleia de trabalhadores realizada em frente à sede da empresa, na garagem do bairro Parolin, em Curitiba. A razão do atraso foi uma assembleia promovida pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc) após trabalhadores da Auto Viação São José denunciarem que estariam sendo obrigados a assinar promissórias para pagar danos aos veículos envolvidos em acidentes. De acordo com o Sindimoc, a empresa não teria feito seguro dos ônibus e estaria repassando os custos de colisões aos motoristas.

A assembleia, que começou por volta das 5 horas e durou uma hora, reuniu cerca de 200 funcionários  em frente à garagem da empresa, no bairro Parolin. Os trabalhadores relataram ao Sindimoc que estariam sofrendo assédio moral ao serem obrigados a se responsabilizar por qualquer dano ocorrido aos ônibus durante os trajetos. A denúncia envolve ainda a assinatura de promissórias pelos motoristas para arcar com o conserto dos veículos, já que a empresa não teria renovado o seguro da frota.

“Temos casos de motoristas que assinaram 100 notas promissórias de R$ 200,00 para o conserto do ônibus envolvido em acidente. Outro, assinou 100 promissórias de R$ 300,00.  E isso sem verificar sequer se o motoristas estava errado ou não no acidente. É um absurdo. Fazem o orçamento do conserto e obrigam o motorista a assinar as promissórias”, denunciou o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, ao vivo, no Jornal da Banda B.

Segundo Teixeira, isto estaria ocorrendo porque a Auto Viação São José não teria renovado o seguro da frota. “Essa empresa está jogando todo o risco da operação em cima dos motoristas porque se eximiu de fazer seguro. O Sindimoc não vai permitir isso”, afirmou o presidente.

Aos trabalhadores, o sindicato informou que irá pedir hoje uma audiência na Delegacia Regional do Trabalho para que a empresa explique as cobranças. Teixeira disse ainda que há denúncias de que outras empresas estariam adotando a mesma prática de cobrar os consertos dos motoristas. “Vamos verificar as outras denúncias e tomar providências”, completou.

Após a assembleia, os funcionários voltaram ao trabalho e as linhas passaram a circular normalmente.

Atrasos

Vários ouvintes ligaram para a Banda B para relatar atrasos em várias linhas na manhã desta segunda-feira. “O que está acontecendo? Estou esperando o ônibus para ir até a escola faz meia hora e nenhum passa”, contou o ouvinte Luiz Felipe Damazio, que aguardava o Ligeirão.

A Banda B procurou algum representante da Auto Viação São José na garagem da empresa, durante a assembleia, mas ninguém foi localizado para se pronunciar. Por telefone, ninguém da empresa se manifestou até o momento.