Por Danaê Bubalo

protesto3Protesto fechou a Avenida das Torres e a Rua Chile – Foto: Danaê Bubalo/Banda B

Moradores da Vila Torres em Curitiba fecharam a Avenida das Torres e a Rua Chile, em Curitiba, no começo da noite desta quarta feira (5). A manifestação foi para protestar contra a morte do menino Cauê da Silva da Cruz, de 7 anos, que aconteceu no último domingo (2). De acordo com os moradores, a manifestação partiu das crianças que estudavam e conheciam o menino e ficaram revoltadas com a situação. Os manifestantes atearam fogo em entulhos e pneus, nas duas pistas da Avenida das Torres, e bloquearam totalmente a Rua Chile, metros depois da trincheira.

Houve confusão e muita reclamação de motoristas no local, principalmente de pessoas que tentavam chegar ao Aeroporto Afonso Pena para viajar. O trânsito, sentido São José dos Pinhais, foi liberado cerca de uma hora depois. Já a pista da Avenidas das Torres sentido Centro de Curitiba ficou parcialmente bloqueada e causou lentidão no local. A Rua Chile foi fechada totalmente por duas horas e liberada depois das 20h30, quando a Polícia Militar fez a intervenção no ato.

O Corpo de Bombeiros esteve no local e apagou os focos de incêndio, já equipes da ROTAM do 12º e do 20º Batalhão, além das motocicletas, estiveram presentes apenas para manter a ordem na manifestação.

De acordo com as mães das crianças que participaram da manifestação, a revolta maior era sobre o boato espalhado de que o menino Cauê era “aviãozinho” do tráfico e que por esse motivo foi assassinado. Segundo os moradores o menino não tinha envolvimento com o crime, participava de ações sociais na vila e sempre ia para a escola. Além disso a avó do menino, costureira conhecida na região, sempre cuidava da criança ajudando a mãe quando a mulher ia trabalhar.

No protesto, moradores afirmaram que a morte da criança não aconteceu por conta da guerra das duas gangues que comandam o tráfico na região, como chegou a ser colocado num primeiro momento pela polícia. De fato, segundo confirmou o delegado Fabio Amaro, da Delegacia de Homicídios, Cauê foi morto devido a uma dívida da família para um agiota, o mandante do crime.

Nesta quarta-feira, a polícia apresentou Vanderlei da Rosa Pinheiro, 20 anos,como o suspeito de ter atirado em Cauê. Ele foi preso em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, durante uma abordagem realizada pelos policiais do 17º Batalhão. Pinheiro foi reconhecido pelas testemunhas como um dos autores do crime. A mãe dele também foi presa porque tinha um mandado de prisão em aberto.

Falta de segurança

Além da manifestação por conta da morte do menino Cauê, a população também reclamava da falta de segurança e também da ausência da polícia no bairro. Afirmaram que a polícia pouco aparece na Vila, e quando surge é apenas para cobrar e inibir os usuários de drogas do bairro.

A operação da Polícia Militar foi conduzia pelo oficial Lucas Marquetti que preferiu não conversar com a imprensa sobre o caso. Ninguém ficou ferido e a PM permaneceu na Vila Torres durante toda a noite.

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