Por Felipe Ribeiro e Antônio Nascimento

Com gritos de “Kátia assassina”, familiares e amigos da copeira Rosária Miranda da Silva se reuniram no final da tarde desta quinta-feira (2), em frente ao Tribunal do Júri de Curitiba, para pedir Justiça. Eles lembraram que já são 42 dias desde a morte ocorrida em uma festa de confraternização no Centro Cívico e, até o momento, a policial civil Kátia Belo não foi presa pelo crime, mesmo com os vários indícios que apontam contra ela.

Chefe de trabalho de Rosária no Instituto Paranaense de Oncologia (IOP), Vanessa Arentz, disse que Rosária era uma pessoa amiga e com muita energia e ninguém ainda consegue acreditar que isso tenha acontecido. “Sempre fomos muito unidos e não aceitamos que uma festa, que ela organizou, tenha terminado desta maneira. Ela era cheia de vida e estava sempre disposta a ouvir, era uma luz para os nossos pacientes e sempre chegava sorrindo e trazendo energia para os nossos pacientes, que são tão delicados”, comentou.

Na segunda-feira (30), a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu o inquérito do crime. Kátia das Graças Belo foi indiciada pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, motivo fútil e sem defesa para a vítima. O inquérito foi assinado pelo delegado Fábio Renato Amaro e o Ministério Público do Paraná (MP-PR) analisa agora se oferece denúncia ou não.

À Banda B, o marido Francisco Leite elogiou a atuação do delegado Fábio Amaro, que é o responsável pelo inquérito, mas lamentou a atuação do Poder Judiciário. “Queremos que a Justiça acate o pedido de prisão. Essa mulher é uma desequilibrada que não pode viver na sociedade. Não sei nem se podemos chamar ela de policial civil, uma vez que acertou a cabeça da minha esposa dessa forma”, lamentou.

O advogado da família Ygor Salmen reforçou para que o pedido de prisão preventiva seja acatado pela Justiça. “O que as pessoas que estão aqui esperam é uma reposta, para que de certa forma, isso possa tranquilizar os corações”, disse.

Laudo

A investigação da Polícia Civil sobre a morte contraria o depoimento da investigadora suspeita pelo crime e aponta que ela fez mais de um disparo contra a festa em que a vítima estava, no bairro Centro Cívico, em Curitiba De acordo com a análise da Polícia Científica, uma das simulações mostra que a janela de Kátia é compatível com a trajetória da bala que atingiu a cabeça de Rosária. A investigação encontrou ainda um vídeo de monitoramento de uma empresa vizinha, que apontaria que a investigadora fez pelo menos dois tiros contra a festa e não um como afirmou em depoimento na DHPP. As imagens mostrariam clarões vindos da janela da policial.

O laudo, no entanto, aponta uma ressalva. Os peritos mencionam que uma árvore e outros elementos, como o muro, causam uma obstrução de visão direta. Mesmo assim, a perícia acredita que a janela é compatível como origem do tiro.

O advogado da investigadora, Peter Amaro, contesta a versão, uma vez que a bala não foi encontrada para comparação com a da arma da investigadora.

O caso

Rosária participava de uma confraternização no último dia 23 de dezembro no Centro Cívico, em Curitiba, quando foi baleada na cabeça. Ela chegou a ser socorrido e ficou internada no hospital, mas não resistiu e morreu no dia 1º de janeiro. Na DHPP, Kátia disse que se irritou com o barulho da festa, que ocorria ao lado de casa. O disparo teria sido feito da janela do apartamento dela.

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