Novas gravações feitas pela Polícia Civil com conversas entre a doutora Virginia Soares de Souza, chefe da Unidade de Terapia (UTI) do Hospital Evangélico, e outros médicos que trabalhavam com ela, foram divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Jornal Hoje (JH) da Rede Globo. Em um dos trechos, a médica acusada de antecipar a morte e escolher quem sobreviveria na UTI do Evangélico afirmou: “Nós estamos com a cabeça bem tranquila para assassinar, para tudo, né?”, disse a um médico de sua equipe.

As gravações foram conseguidas por um agente do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa) da Polícia Civil que com autorização judicial se infiltrou na equipe de Virgínia. Este policial é formado em enfermagem e a decisão foi tomada porque apenas assim seria possível comprovar o crime, já que os remédios usados para antecipar a morte não deixavam vestígios nas autópsias.

Confira na íntegra os trechos da gravação:

Conversa entre Virgínia e um médico sobre um paciente:

Virginia: Pode ser que ele diga o sobrenome. Porque ele está bem espertinho. Agora, o outro está morto.
Médico: O outro está feio na foto
Virginia: Está quieto, tem que deixar quieto. A hora que parar o respirador foi….pela mor de Deus
Médico: Ah ta. Não, tranquilo.

Com outro médico, Virginia dá uma declaração polêmica;

Virginia: Nós estamos com a cabeça bem tranquila para assassinar, pra tudo, né?

Defesa

Em entrevista ao JH, o advogado de defesa, Elias Mattar Assad, manteve a postura de criticar o inquérito policial, mesmo com as novas evidências. “Está provado que a Polícia Civil do Paraná não conhece a medicina legal”, resumiu.

Apoio à delegada

Por sua vez, o Ministério Público do Paraná e o Sindicato dos Delegados do Paraná enviaram nota à imprensa demonstrando apoio a delegada Paula Brisola, do Nucrisa, que é a responsável pelo caso.