* por Sérgio Brandão

parana clubeNão gostaria de dar nomes, embora não seja difícil lembrar de alguns personagens se a gente buscar na memória o fato, voltando uns 5 ou 6 anos. Vamos chegar a um problema vivido pelo Coritiba e que o Paraná Clube pode reproduzir agora. Se o problema não é o mesmo, é muito parecido.

Não tenho muita certeza, mas acho que foi em 2007, quando o Coritiba também tentava subir da segunda para a primeira divisão e um impasse financeiro entre comissão técnica e diretoria, impediu o retorno à elite do futebol brasileiro.

Naquela oportunidade, o Coxa voava baixo. Tinha um time bom, campeão do primeiro turno, com um elenco que sobrava dentro do campeonato. Pouco antes do início do segundo turno, reza a lenda, na tentativa de tirar proveito da situação, um grupo de jogadores, tentou renegociar a grana combinada, caso a classificação fosse confirmada. A diretoria não aceitou e inexplicavelmente, nas rodadas seguintes, o time começou a degringolar e,terminou o campeonato em sexto lugar, deixando a classificação para o ano seguinte.

A história vale como lembrete ao Paraná Clube que lida com uma situação semelhante, tratando o problema abertamente o que dá decência ao impasse.

Jogadores e comissão técnica vivem um problema bem mais sério e ainda jogam claramente, sem pressão de bastidores. A partida contra o Chapecoense foi prova disso.

O técnico Dado Cavalcanti deu a cara pra bater, expondo o problema publicamente. Falou em nome do grupo, reclamando dos salários atrasados. Para isso, primeiro trataram de jogar bola e deixar o time no grupo de classificação.

O problema está sendo exposto antes, bem antes do término do primeiro turno, dando chance para a atual diretoria de correr atrás do prejuízo. A mesma forma correta que treinador e jogadores trataram o problema, deve ser a resposta que a diretoria deve dar. É o mínimo que se espera.

De nada vai adiantar a torcida se organizar em vaquinhas para resolver o problema. A intenção é bonita, mas não resolve.

Finalmente o Paraná achou o caminho, para montar um time competitivo, mas isso custa caro. Do jeito que esteve em anos anteriores, não sairia do atoleiro. Precisava de uma atitude ousada. Ousaram. Agora precisam arcar com os custos. O melhor caminho me parece ser o que todos os outros clubes adotaram: a profissionalização do clube em todos os aspectos. Do departamento de futebol, marketing e principalmente o departamento administrativo.

Com o clube na primeira divisão, a vida será outra, o dinheiro será outro, a torcida será outra, mas a hora da diretoria mudar é esta. Se deixarem passar, o Paraná Clube corre o risco de extinção.

atletibaAtletiba no Brasileiro

Como futebol é momento, hoje, o momento é do Atlético. As próximas partidas devem confirmar o que estamos vendo há quase seis rodadas.

O Atlético anda jogando mais, parece ter achado um futebol mais envolvente, mais bonito e principalmente corajoso, fora e dentro de casa, com ou sem Paulo Baier. Já o Coritiba, com Alex ou sem ele, não tem sido o mesmo do final do paranaense e início do brasileiro. Sim, porque na verdade foram quatro partidas sem Alex: contra o Cruzeiro o Coxa nem foi tão mal assim, embora tenha perdido, mas merecia mais sorte. Contra o Grêmio quando venceu pela primeira vez fora, jogando um belo futebol e contra a Portuguesa, quando passou aperto quase perdendo dentro do Couto, como foi na derrota para o Vasco, três dias antes. Aliás, partida que Alex não deveria nem ter sido escalado, mas jogou meio tempo. Também contra o Corinthians, mesmo com quase todo o time reserva, o Coxa parece ter conseguido um comportamento melhor, mas por conta da arbitragem, também perdeu.

Além de momento, o futebol também parece ter um outro ingrediente que é determinante: a sorte que esteve com o Coritiba no início do Brasileiro e que agora parece ter mudado de endereço.

Para o Atlético não teria sido surpresa se tivesse voltado da partida contra o São Paulo com uma vitória. Como também não surpreendeu a virada contra o Criciúma.

Com esta alternância entre os times grandes que disputam as primeiras colocações, como Botafogo, Cruzeiro, Inter e Grêmio, perdendo pontos dentro de casa, parece ser uma das principais indicações que teremos um campeonato pra lá de disputado. Talvez um brasileiro como o de 2009, quando o Flamengo foi campeão apenas na última rodada.

Mais bonito ainda, será se Coritiba e Atlético mantiverem a dianteira para dar um brilho especial no atletiba do segundo turno. Se as coisas se mantiverem como estão, será um atletiba como nos velhos e bons tempos. Assim, também saímos da amarga posição mantida há anos de apenas disputar o campeonato para não cair. Isso serve para os dois. Torço para isso.

Arbitragem

A choradeira do Coritiba faz sentido porque traz à tona um problema antigo e sério no futebol brasileiro: a qualidade das arbitragens.

Hoje, tudo é profissional no futebol, menos a arbitragem. Até o sujeito que vende pipoca nas arquibancadas é profissional no que faz, mas lá dentro de campo a arbitragem passa longe de ser exigida com o mesmo nível do pipoqueiro. De um lado as administrações dos clubes e departamentos de futebol trabalham cada vez mais buscando alto padrão administrativo. As vezes, em 90 minutos, um árbitro mal preparado põe tudo a perder.

A gritaria é geral. Mas as vezes parece que estamos nos acostumando com os frequentes erros.  É possível ouvir sempre a justificativa de, “ah, mas todos são beneficiados e prejudicados com as arbitragens”. A frase retrata uma grande verdade, mas que indica uma acomodação das coisas, um conformismo que não é possível mais admitir.

No caso do pênalti que não houve, dado contra o  Coritiba, na partida contra o Corinthians,  e de tantos outros, não acredito em má fé, embora  Péricles Bossols, árbitro da partida já apareça em estatísticas muito suspeitas, todas favoráveis ao Corinthians, apenas neste brasileiro.

Prefiro acreditar que ainda é falta de preparo, de dedicação exclusiva a uma profissão, de estudar e se modernizar. De uma exigência que precisa ser cobrada incansavelmente.

O problema se agrava quando a gente se depara com alguns árbitros arrogantes, atrapalhando e irritando torcida e atletas. Há anos isso já deveria ter sido corrigido, mas a CBF continua fazendo de conta que a conversa não é com ela. Pelo contrário, a CBF blinda estes figuras, dando a eles poderes, em muitos casos, de acabar com o planejamento de um ano de trabalho de um departamento de futebol, ou até de acabar com a carreira profissional de um atleta.

* Sergio Brandão jornalista há 30 anos, trabalhou em várias áreas da profissão, tendo se especializado em comunicação para televisão desde 1983. Hoje é jornalista frela.  Trocou a vida sedentária e seus quase 90 quilos em 2000, pelo esporte. Quase 13 anos depois, acumula em seu currículo dezenas provas de triathon, duathlon, 12 maratonas e inúmeras corridas de rua