Elizangela Jubanski/Banda B
Ducci participou do programa do Luiz Carlos Martins

A alegação de que o atual prefeito de Curitiba Gustavo Fruet (PDT) soma dívidas da gestão passada é uma manipulação de números para o ex-prefeito Luciano Ducci (PSB). Ducci esteve na Rádio Banda B, no programa Luiz Carlos Martins, na manhã desta terça-feira (30), e rebateu dizendo que se coloca à disposição de Fruet para um debate.“Aceito um debate com o atual prefeito para discutirmos estas questões que estão sendo levantadas agora”, disse.

O ex-prefeito confirma que os números existem, mas há uma manipulação da informação. “Quando se coloca a Eleonora Fruet, a irmã do prefeito, na Câmara Municipal apresentando demonstrativos da disponibilidade de caixa não se mostra que os serviços feitos em outubro, novembro e dezembro, o Governo Federal não repassou recursos para a prefeitura. Em janeiro, fevereiro e março repassou e agora que começam a ser pagos. Inclusive, já poderiam ser pagos”, alega.

O prefeito Gustavo Fruet preparou um relatório que aponta que a gestão de Ducci contraiu uma dívida de R$ 571 milhões, em 2012. No entanto, só foram previstos no orçamento deste ano o pagamento de R$ 167,4 milhões. Isso significa que não foram incluídos R$ 403 milhões no chamado “restos a pagar” – despesas que ficam para serem pagas de um ano para o outro.

O ex-prefeito se defende e diz que a gestão está sendo acusada com falta de gastos de um dinheiro não recebido por ele. “Eu não havia recebido o dinheiro. A gente empenha esse valor para receber no início do próximo. É assim que funciona. A secretária Eleonora de Finanças, que foi a nossa de Educação, ficou durante seis anos trabalhando na nossa gestão e, por isso, tinha que saber deste trâmite”, aponta.

Ainda, segundo ele, na Secretaria da Educação, Eleonora deixou mais de R$ 50 milhões de restos a pagar no mês de dezembro para serem pagos no começo do ano. “Agora quando há um rompimento de gestão para até se apropriar da falta clara de experiência na gestão pública faça que venha esta questão permanente sobre a questão financeira”.

Domingueira

“A grande obra de Fruet foi aumentar em 50% a tarifa da domingueira, o dia em que a classe trabalhadora sai de casa”, disse Ducci ao radialista Luiz Carlos Martins. O ex-prefeito lembra que a domingueira foi uma conquista da gestão em que, na época, o então prefeito Beto Richa reduziu o valor da passagem para R$ 1 aos domingos. “Nós nunca mexemos nesta tarifa, agora de uma hora pra outra aumentar 50% e ninguém falar nada? Além de aumentar a passagem de ônibus. Colocamos mais 1,1 mil novos ônibus e a passagem não mudou”, lembra Ducci.

Processar

Questionado se o ex-prefeito de Curitiba pretende processar a atual gestão, Ducci disse que estas fatores serão todos discutidos no Tribunal de Contas. “Todas as contas vão para o órgão que fiscaliza estas finanças. As minhas contas já foram aprovadas, o que pode acontecer é que vários elementos, durante o processo de análise, serão explicados. Eu não sou coordenador de despesas, cada secretário e seu superintendente são responsáveis pelo setor, e este processo fica automaticamente sob vigia da Secretaria de Finanças. Cada um vai explicar o que gastou em cada item, é isso”, comenta.

Mudanças

Sobre a atual gestão, o ex-prefeito atacou Fruet e afirmou que vários programas que o cidadão curitibano já conhece estão sendo mudados de nome. “Eles vão usar nomes que o PT usa. A maioria das obras que a nova gestão está inaugurando aconteceu todas na nossa gestão. Ninguém consegue uma regulamentação latifundiária em meses, estes processos foram iniciados em nossa gestão. Parece que os Centro Médico de Urgências Médicas (CMUM) vai passar a se chamar Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e a Mãe Curitibana, Rede Cegonha. Nomes que o PT usa nos programas”, ataca.

Metrô

Para finalizar a entrevista, o radialista Luiz Carlos Martins questionou sobre os avanços do projeto do metrô. “Eu acredito muito no metro. Ele é um transporte para o futuro porque a cidade vem crescendo bastante. Conseguimos 1 bilhão que já está autorizado, conseguimos junto ao Governo do Estado mais 300 milhões. Na metade do ano passado tudo já estava discutido tecnicamente, tudo foi detalhadamente discutido, só faltava um documento para licitar e como entramos em época de campanha não conseguimos um último documento. Então, pode licitar, aliás, já deveria ter licitado”, opina.