Oitenta por cento dos 34.406 servidores da Prefeitura de Curitiba são mulheres. Elas estão presentes em todas as secretarias, ocupando cargos de todos os níveis – inclusive a vice-prefeitura e o comando de nove secretarias municipais. Os homens somam 20,62%. Os dados fazem parte de uma pesquisa elaborada pela Secretaria de Recursos Humanos sobre o perfil dos servidores e foram divulgados na semana em que se comemora o Dia da Mulher (8 de março).

Quase um terço das servidoras (29,13%) possuem curso superior completo. Destas, 30,74% cursaram pós-graduação, especialização, mestrado, doutorado ou têm título PhD. “As mulheres estão em todos os setores, trabalhando com eficiência, competência e dedicação, conquistando seu lugar na administração pública”, disse Meroujy Giacomassi Cavet, secretária de Recursos Humanos.

“Temos uma mulher, Miriam Gonçalves, como vice-prefeita, e nove secretarias municipais ocupadas por mulheres”, lembra.

São secretárias municipais de Curitiba Eleonora Bonato Fruet (Finanças), Márcia Oleskovicz Fruet (Fundação de Ação Social), Meroujy Giacomassi Cavet (Recursos Humanos), Roberlayne Oliveira Borges Roballo (Educação), Mirella Prosdocimo (Pessoa com Deficiência), Roseli Isidoro (Mulher), Liana Maria da Frota Carleial (IMAP), Gina Gineli Paladino (Agência Curitiba de Desenvolvimento) e Miriam Gonçalves (Trabalho e Emprego). “Dezenas de cargos de direção também são ocupados por mulheres”, disse Meroujy.

A pesquisa da SMRH aponta, ainda, que as mulheres com mais de 50 anos representam 17,69% do total das servidoras municipais. As servidoras com idade entre 36 e 45 anos representam 27,48% do total.

Exemplos

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Jane trabalha na área administrativa

Jane Aparecida Cardoso é um caso de sucesso na Prefeitura. Tem 25 anos de serviço. Fez concurso para agente administrativo e já nos primeiros anos de trabalho percebeu que o serviço público oferece chances de crescimento profissional. Jane fez curso superior de Gestão Pública e MBA em Administração Pública e Gerência de Cidades. As portas foram se abrindo. Ela foi chefe de gabinete, coordenadora de núcleo e hoje ocupa o cargo de gestora pública na Regional do Pinheirinho. “Nesses anos, comprei casa e ajudei minha família. Sempre soube que a Prefeitura recebe bem quem é comprometido com o trabalho”, disse.

De acordo com dados da Secretaria de Recursos Humanos, a maior parcela das servidoras ingressou há menos de cinco anos na Prefeitura (20,87%). As que possuem entre seis e 10 anos de trabalho representam 12,87%. Entre os homens, a maior concentração está na faixa entre 21 e 25 anos de serviço público (4,70%). Na segunda colocação (3,90%), encontram-se os que se encaixam na faixa entre zero e cinco anos de serviço.

Maria Cássia Moraes Lima, 58 anos, professora, mãe, separada, diz que é um agente de mudanças. “Que bom que eu sou funcionária da Prefeitura de Curitiba, que me deu uma visão social e me oportunizou trabalhar um ensino de qualidade para os mais vulneráveis”, diz emocionada, ao lembrar sua trajetória de 32 anos de serviço público.

Já Jane está há 30 anos na área educacional

Maria Cássia fez concurso público em 1980 para professora. Foi lecionar na Escola Bela Vista, no Boa Vista. Em 1988, foi eleita diretora da escola. Cumpriu dois mandatos. “Uma época muito difícil. Estávamos na fase da abertura política do Brasil, com resquícios de ditadura militar”, conta a professora, que era ativista política. “Muitos professores não entendiam os movimentos reivindicatórios. Mas mesmo assim, confiaram e me elegeram diretora”, conta.

Sua carreira não parou por aí. Em eleições diretas foi eleita para a diretoria das escolas Margarida Orso Dallagassa, no Tatuquara, por dois mandatos, e Maria Zeglin, no Pinheirinho, em três mandatos. Foi coordenadora do programa Comunidade Escola e hoje, ocupa a chefia do Núcleo da Educação na Cidade Industrial de Curitiba.” Depois de mais de 30 anos no serviço público, Mária Cássia diz que se sente segura e feliz. “Participei de lutas salariais, tive a oportunidade de estudar, conhecer muitas pessoas interessantes, fazer gestão de escolas e conhecer os anseios da comunidade”, afirma.