Por Felipe Ribeiro com Brasil Urgente

O delegado Silvan Rodney Pereira, que foi o primeiro responsável pela investigação do Caso Tayná e permanece preso por suspeita de tortura, falou pela primeira vez após sua detenção sobre o caso na tarde desta sexta-feira (13). Em entrevista ao programa Brasil Urgente, da Rede Bandeirantes de Televisão, Rodney fez duras críticas ao governador Beto Richa, ao Ministério Público do Paraná e à Polícia Cientifica, que foi a responsável pela coleta de matérias da perícia do corpo da menina Tayná Adriane da Silva.

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Foto: Divulgação

De acordo com o delegado, é um absurdo homens conhecidos por condutas como a dele e dos outros policiais presos serem mantidos nessa situação por tanto tempo por terem ido atrás da resolução de um crime. “Eu trabalhei nesse caso por 24 horas, prendi quatro suspeitos que me confessaram o crime e localizei o corpo. Acredito que se eu tivesse soltado eles, estaria tomando muito mais pancada que eu estou tomando agora. Não tive um grupo para fazer malabarismo, tive uma família e o calor dos acontecimentos de ver uma adolescente brutalmente assassinada”, afirmou.

Segundo ele, os policiais não vêm nada que possa apontar para uma melhora na situação, principalmente por parte do Governo do Estado. “O governador nos abandonou, não vemos nenhuma atitude por parte dele em nenhum sentido”, reclamou.

A declaração acontece no mesmo dia em que Richa afirmou que todas as medidas do caso serão “apuradas com rigor”. Em entrevista coletiva, o governador afirmou que para que a verdade venha a tona, todos os suspeitos devem ser verificados. “Nosso governo não admite nenhum tipo de desvio de conduta, somos intolerantes com esse tipo de situação e vamos dar uma resposta à sociedade”, comentou o governador.

DNA

Hoje, Silvan e outros 10 policiais civis foram intimados a fornecer material genético para o caso Tayná e sobre isso Silvan disse que irá fornecer o material, mas que não confia no Instituto Médico Legal (IML), nem na Polícia Científica. “Por mim, eu não forneceria o material, mas vou fazer exame para evitar especulação da minha parte. Não confio no IML para comparar meu material, principalmente após tantos erros. A perícia mais desconstruiu que colaborou com a investigação”, afirmou.

Uma sugestão levantada pela reportagem e compartilhada pelo delegado seria que o mesmo exame fosse feito em um laboratório particular com a devida supervisão.

MP-PR

Silvan ainda fez duras críticas ao Ministério Público do Paraná e ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), o qual os chamou de “xiitas”. “Não sei como um grupo pode tratar uma pessoa que é réu primário dessa maneira. Se eu tivesse essa atitude de cometer torturas, minha máscara já teria caído antes, mas acredito que a verdade vai aparecer no final”, disse.

Para concluir, Silvan garantiu que não teve um grupo para fazer “malabarismo” e que se o MP tivesse convicção de que os quatro acusados não tem nada a ver com o crime, já teriam os solto. “O MP não tem coragem de soltá-los porque sabe que eles vão sumir. Proteger de quem, se nós estamos presos. E por que a Polícia Científica não é questionada, só a Polícia Civil”, concluiu.

Estava previsto a coleta do material genético de Silvan para até às 18h desta sexta.

Crime

Tayná morreu estrangulamento com o cordão de um sapato no último dia 25 junho em Colombo. Quatro suspeitos chegaram a ser presos, mas após uma suspeita de tortura por parte de policiais civis, foram soltos e permanecem fora do Paraná no programa de proteção a testemunhas.