O delegado Gérson Machado saiu nesta sexta-feira (5) do Centro de Triagem 1, no Centro de Curitiba, onde estava detido por posse ilegal de arma. Para sair, Machado pagou a fiança de dez salários mínimos, aproximadamente R$ 6,8 mil, A liberdade dele já havia sido concedida ontem pela 1ª Vara de Inquéritos Policiais de Curitiba, mas devido ao valor antes estipulado, 30 salários mínimos (R$ 20.430), ele alegou falta de condições de pagar e continuou detido.

Na saída, o delegado esbravejou. “Se tivesse feito acerto com ‘vagabundo’ teria este dinheiro em casa para pagar a fiança. Eu não tenho rabo preso com ninguém. Prendi 11 donos de desmanche. Quem quiser provar o contrário é só vir a público. Fui sacaneado como se fosse um bandido”, afirmou.

Machado também falou sobre o empresário Milton Stingler, que para ele é o maior receptador de Curitiba e região metropolitana. “Eu desafio este ´vagabundo´para vir a público e mostrar quem são os investigadores e delegados que criaram este monstro dentro da Furtos e Roubos de Veículos. Delegados frouxos que criaram este monstro. Indiciei este vagabundo em seis inquéritos e quero este vagabundo na cadeia. Desafio qualquer um para provar o contrário”, descreveu.

O delegado ainda ressaltou que teria sido o responsável pelo início das investigações e acabou sendo preso nelas. “Mandei a testemunha ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e este rapaz botou no papel que você (Milton Stingler) devia R$ 40 mil a ele e matou o amigo do cara que estava no negócio. Além de tantos outros crimes que você (Milton Stingler) vez, como aqueles irmãos na Zona Rural de Araucária. Eu sou Gérson Machado, delegado de polícia, e você (Milton Stingler) é um ‘vagabundo’”, concluiu.

Machado foi preso na última quarta-feira (3), junto com os delegado Luiz Carlos de Oliveira e investigador Aleardo Righetto. Eles foram presos por porte ilegal de arma e munições durante a Operação Vortex, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná.

Os três são suspeitos de participar do esquema de corrupção, que envolveria a cobrança de propina em falsas fiscalizações realizadas em lojas de autopeças.

Ontem, o delegado-geral da Polícia Civil, Marcus Vinícius da Costa Michelotto, os afastou dos cargos até que sejam concluídas as investigações do Gaeco relativas a um suposto caso de extorsão.

Machado está preso no Centro de Triagem I. Os dois delegados foram afastados dos cargos pelo comando da Polícia Civil até que as investigações sejam concluídas.