Polícia Civil
Delegado Gérson Machado

O delegado Gérson Machado, um dos investigados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público do Paraná suspeito de participar de um esquema de corrupção na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba (DFRV), disse à imprensa estar ‘enojado’ com a operação deflagrada na manhã desta quarta-feira (3). Machado, que era delegado-chefe da DFRV e atualmente é o comandante do 6° Distrito Policial, afirmou que foi preso hoje por ter detido no ano passado o maior receptador de carros da Grande Curitiba.

“Prendi o Milton Stingler em Araucária e eu mesmo o apresentei ao Ministério Público. Por isto fui mandado embora da DFRV, por prender este ‘vagabundo’. Ele é o maior receptador de Curitiba e lá dentro da DFRV não permitiam a prisão dele, porque há um esquema dentro desta especializada. Mandei embora dez policiais por estarem agindo errado e eles voltaram depois que eu fui ‘chutado’ de lá”, esbravejou o delegado.

Machado afirmou que está sofrendo represálias por ter combatido os crimes a veículos de maneira veemente. “Toda a população sabe de meu trabalho. Estou sendo ‘boi de piranha’ nesta operação. Nunca a DFRV prendeu tanta gente quanto em minha gestão. Coloquei um vagabundo na cadeia e agora estou aqui preso e autuado por posse ilegal de arma. Estou enojado com o que está acontecendo”, destacou, acrecentando que vai se aposentar.

Por sua vez, o coordenador do Gaeco, o promotor Leonir Battisti, afirmou que embora tenha cooperado com a prisão de Stingler, Machado era investigado por fatos anteriores. “De fato ele trouxe este suspeito, mas a investigação é embasada em outras provas também”, disse.

Gerson Machado está preso ao lado do delegado Luiz Carlos Oliveira, titular da Divisão de Crimes contra o Patrimônio. Segundo Battisti, a polícia apreendeu U$ 98 mil na casa de Oliveira, com origem desconhecida. “Ele disse que ganhou o dinheiro em cassinos, mas vai ter que provar”, disse Battisti.