Por Denise Mello*

10.07.13 - ACUSADOS

Após a divulgação do laudo preliminar do exame feito no corpo de Tayná Adriane da Silva, nesta segunda-feira (8), que aponta que o sêmen encontrado na jovem não é de nenhum dos quatro acusados presos, o advogado Roberto Rolim de Moura Junior, que defende os suspeitos, informou que a confissão do grupo foi feita sob tortura.

“Conversei com os quatro rapazes, e eles declararam que sofreram agressões em pau-de-arara e até empalamento para que fossem forçados a admitir uma culpa que não têm”, declarou o advogado em entrevista ao jornal Gazeta do Povo.

Na entrevista, o advogado diz que os quatro teriam sido coagidos tanto na delegacia do Alto Maracanã, para onde foram levados inicialmente, como no Centro de Operações Especiais (Cope) e na delegacia de Araucária (dois em cada local). Rolim informou que até esta quinta-feira (11) deverá pedir relaxamento ou revogação das prisões preventivas dos acusados.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) ainda não se manifestou sobre a alegação de tortura. Ontem, o secretário Cid Vasques, determinou mudanças nas investigações do caso.

A Corregedoria da Polícia Civil passa a apurar se houve irregularidade, falha, omissão ou distorção na condução do inquérito. Um outro delegado foi designado por Vasques para dar prosseguimento às investigações, afastando assim o delegado Silvan Pereira, da delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, local do assassinato na região metropolitana de Curitiba. E, por último, Vasques designou o delegado Rafael Vianna, da Assessoria Civil da Secretaria, para acompanhar toda a tramitação do inquérito e eventuais desdobramentos.

Dúvidas

As dúvidas sobre a autoria do crime agora é a grande pergunta sem resposta no caso Tayná. Há a possibilidade do envolvimento de um quinto elemento no caso, assim como também há a possibilidade dos quatro presos serem inocentes.

No dia da apresentação à imprensa, porém, Sérgio Amorin da Silva Filho, de 22 anos, Paulo Henrique Camargo Cunha, 25, e Adriano Batista, 23, deram detalhes aos jornalistas sobre como teriam matado a garota após manterem relações sexuais forçadas com ela. Ezequiel Batista, 22, também foi indiciado, mas porque testemunhou tudo sem tentar impedir o assassinato e sem denunciar os comparsas. Na ocasião, nenhum dos quatro falou em tortura.

Nesta terça-feira, o médico legista Alexandre Antônio Gebran disse que examinou o corpo da adolescente de 14 anos, reconheceu que existe um laudo preliminar com indícios de que não haveria a presença do sêmen dos quatro suspeitos presos, mas considerou antiética a divulgação do laudo, já que não há um resultado conclusivo até o momento.

“Foi pedido segredo de justiça e enquanto todos os trâmites não estiverem prontos não vamos concluir. Não temos nada de concreto. Tenho exames falsos, positivos, outros novamente falsos, outros positivos e, então, nesse momento só falaremos quando tivermos algo nas mãos”, declara o médico legista responsável pelo caso.

No entanto, a Sesp confirmou, por meio da assessoria, que o sêmen encontrado no corpo da garota Tayná Adriane da Silva não é de nenhum dos acusados pesos. A afirmação rebate o próprio legista do caso que reitera: “Não há como comprovar ainda, não é uma ciência exata, é preciso cautela”, disse.

O delegado-chefe da Divisão Metropolitana da Polícia Civil, Agenor Salgado disse que as investigações podem ter ido por outra linha. “A polícia pode ter errado, mas sem dúvidas, não agiu de má fé”, limitou-se a comentar o delegado, que acredita ter uma quinta pessoa envolvida no caso.

Vazamento

A assessoria afirmou durante a entrevista coletiva desta terça que a Sesp vai abrir sindicância para descobrir como a informação sobre o laudo vazou para a imprensa.

O médico legista informou ainda que o laudo final deve sair em até 10 dias.

* com informações da Gazeta do Povo.

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