Por Felipe Ribeiro e Luiz Henrique de Oliveira

O presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), José Antonio Andreguetto, lamentou nesta terça-feira (14) a decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) de suspender o reajuste da tarifa do transporte coletivo de Curitiba e voltou a dizer que a tarifa continuará sendo cobrada R$ 4,25 enquanto existir a possibilidade de recursos. Em entrevista à Banda B, ele afirmou que a decisão é “sentença de morte” para o transporte coletivo da capital paranaense.

Foto: SMCS

“Não podemos acatar o que o TCE-PR nos colocou nessa liminar sem contestação. Isso é assinar nossa sentença de morte, é fazer com que tenhamos greve dia 20 por falta de dinheiro para o vale, é fazer com que tenhamos greve dia 5 de março por falta de pagamento da folha. Então é uma temeridade não recorrer e não tentar explicar as dúvidas do tribunal e esperar cair o sistema. Se necessário for, vamos a outras esferas para recuperar esse sistema que vem sofrendo muito”, disse.

A medida cautelar foi expedida pelo conselheiro Ivan Bonilha, relator do processo de auditoria realizada pelo TCE-PR na tarifa de transporte coletivo. Uma das justificativas para a medida é o desrespeito à decisão que determinou que houvesse transparência na elaboração da planilha do reajuste.  Além disso, o conselheiro observa que a manifestação da Prefeitura, de que o reajuste tem como objetivo a aquisição de novos ônibus não é coerente, pois essa aquisição já está prevista no contrato firmado entre o município e as empresas de transporte.

Andreguetto contesta a informação sobre a renovação da frota e garante que o valor serve para a compra de novos ônibus e não para a substituição. “Sim, a substituição dos ônibus com vida útil estão previstas no contrato, mas nossa justificativa para o reajuste é para os novos ônibus a serem adquiridos, aqueles que não estão sendo pagos na tarifa técnica”, explicou.

A Urbs já entrou com pedido de reconsideração administrativa para a decisão do TCE. Segundo Andreguetto, a medida se dá pelo fato de a administração ter convicção de que está certa no reajuste e aplicação do valor. “Temos um fundo deficitário que não possibilitava o pagamento das empresas para fazer frente a suas despesas. O dissídio dos trabalhadores deve acontecer até o fim do mês e vamos ter um índice de retroatividade a 1° de fevereiro, não podemos esperar para começar a arrecadar e fazer frente a essa despesa. Temos uma frota sucateada de 270 ônibus, que precisamos repor e temos que reajustar combustível, óleo, lubrificante e outros, então não podemos acatar a liminar no momento”, concluiu.

O valor da multa a ser aplicada por dia à Prefeitura por não cumprimento da liminar não foi divulgado pelo TCE.