Da BBC Brasil

Forma como Patrícia se intensificou deixou especialistas surpresos (Reprodução EPA)

Forma como Patrícia se intensificou deixou especialistas surpresos (Reprodução EPA)

Apesar de bater recordes de intensidade, o furacão Patrícia, a mais forte tempestade já registrada no hemisfério ocidental, causou muito menos danos do que se esperava ao atingir a Costa Oeste do México na madrugada de sábado. Nas últimas horas, Patrícia foi rebaixado da categoria 5 – a máxima na escala Saffir-Simpson – para a 2 pelo Centro Nacional de Furacões nos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês).

Os ventos, que chegaram a 325km/h durante o avanço do furacão pelo Oceano Pacífico, diminuíram para 120km/h ao chegar a terra firme. Mas o governo mexicano teme agora o risco de inundações e deslizamentos de terra causados pelas fortes chuvas. “Os danos até agora foram bem menores que os compatíveis com um furação dessa magnitude”, disse o presidente mexicano, Enrique Pena Nieto, em um pronunciamento de TV.

Ainda assim, de acordo com o Fundo Nacional de Desastres do México, a agência responsável pelo atendimento à vítima de catástrofes, pelo menos 400 mil pessoas estão em áreas vulneráveis. Na sexta-feira, em uma transformação classificada de “histórica”, Patricia passou, em algumas horas, de tempestade tropical a um monstruoso furacão de categoria 5, cuja intensidade foi comparada a uma “detonação nuclear”. “É uma proeza extraordinária. Na era dos satélites, só o (furacão) Linda, em 1997, se intensificou neste ritmo”, disse o NHC.

O evento chegou a ser comparado ao tufão Haiyan, outro de categoria 5, que devastou parte das Filipinas em 2013, matando mais de 6 mil pessoas.

Evolução 

A rápida evolução de Patricia surpreendeu especialistas. Nas primeiras horas da quinta-feira, a Unidade de Proteção Civil do Estado de Guerrero, na costa do Pacífico, identificou Patricia como uma tempestade tropical.

Duas horas mais tarde, o sistema evoluiu para furacão de categoria 1 na escala Saffir-Simpson e foi localizado a cerca de 400 km da costa central, entre os Estados de Guerrero e Michoacán.

Ao meio-dia, hora local, o Serviço Meteorológico Nacional do México informou que a tempestade havia subido para categoria 4 e se deslocava a 28 km/h, “muito maior do que os ciclones com estas mesmas características”, afirmou.

O órgão projetou que, nas duas horas seguintes, Patricia chegaria à categoria 5. A projeção se cumpriu quando o furacão estava a 360 km da costa dos Estados de Colima e Jalisco.

Meteorologistas usam a escala Saffir-Simpson para categorizar furacões de acordo com sua velocidade constante de vento – eles medem os vendavais duradouros ao invés das rajadas mais bruscas, que podem ser ainda mais fortes. Segundo este sistema, um furacão de categoria 1 tem ventos de 119 a 153 km/h e um de categoria 5, acima de 252 km/h. “O ritmo de intensificação da tempestade em um dia é nada menos que histórico. No processo, Patricia passou de um conglomerado de tempestades elétricas pouco organizadas a um dos sistemas mais fortes e perversos do planeta”, disse o NHC.

Deslizamentos

Segundo a OMM, os ventos ficaram tão fortes em certa parte da sexta-feira que poderiam levantar um avião e mantê-lo voando. Autoridades já alertam para a destruição de casas e carros sendo jogados para o ar. Além do vento, esperava-se tempestades costeiras, chuva forte e risco de desabamentos e enchentes.

O presidente Enrique Peña Nieto, no entanto, disse que o governo esteve “envolvido e muito atento” ao desenvolvimento do furacão, e já disponibilizou abrigos para milhares de pessoas. Escolas e lojas foram fechadas e a evacuação de outros locais já está em curso.

El Niño

Esta temporada de furacões no Pacífico é a mais ativa já registrada, com 15 registrados até o momento, mas especialistas pedem cautela ao associar este evento ao fenômeno El Niño. Neste momento, o Oceano Pacífico está passando pelo por uma das ocorrências mais fortes do El Niño desde 1950. O evento se caracteriza por um aquecimento das águas e provoca estragos na região devido às fortes chuvas.

Em setembro do ano passado, a Organização Meteorológica Mundial advertiu que o El Niño se intensificaria a partir de outubro deste ano. A OMM projetava que as temperaturas do Pacífico aumentariam 2ºC além do normal, e especialistas acreditam que estas condições provocaram um aumento nos sistemas de tempestades do Pacífico.

O aquecimento global também poderia ter um papel na intensidade que as tempestades estão adquirindo. As temperaturas oceânicas do hemisfério norte alcançaram as temperaturas mais altas de que se têm registro, de 1,4ºC acima da média. Em agosto passado, quando começou o El Niño, se produziram três furacões simultâneos no Pacífico, os três de categoria 3.