Redação com editorial de Luiz Carlos Martins

Curitiba não é mais a melhor entre todas. Foi-se o tempo em que todos os índices de qualidade de vida apontavam para a capital paranaense com destaque. Campinas, em São Paulo, nos ultrapassou. O estudo do Instituto Nacional de Ciência Tecnologia Observatório das Metrópoles, baseado no Censo de 2010 do IBGE, divulgado em agosto, mostrou que a cidade paulista tem a melhor situação entre 15 conglomerados urbanos, incluindo Curitiba.

O Ibeu (Índice de Bem-Estar Urbano) considera, por exemplo, fornecimento de energia, iluminação pública, coleta de lixo e tempo de deslocamento dos cidadãos de suas casas para o trabalho. São cinco quesitos que formam uma nota de zero a um.

Com 0,873, Campinas foi a única que recebeu a classificação “boa ou excelente”.

E Curitiba? Passamos a ocupar o 3º lugar, atrás também de Florianópolis. (Clique aqui para ter acesso ao Ibeu)

Para o radialista e deputado Luiz Carlos Martins, Curitiba vem sendo vítima de “remendos” há vários anos, e já paga o preço por isso. Em um editorial lido na manhã desta quinta-feira, na abertura de seu programa na Rádio Banda B, Martin deu sua análise e concluiu que Curitiba pede socorro.

Segue o editorial, na íntegra:

LCM radio

Radialista e deputado Luiz Carlos Martins

Oi Oi Gente Querida

Há 36 anos venho acompanhando com muito carinho, muita atenção, tudo que acontece em Curitiba.

Meus filhos nasceram aqui, minha neta, enfim, construí minha vida integralmente aqui.

E como vim para Curitiba em 1977, já cheguei na mudança, na revolução urbana que Curitiba sofreu. Era o tempo do Lerner, urbanista que se tornou prefeito três vezes e com sua equipe e o apoio maciço, a principio cauteloso, mas aos poucos, geral, sinérgico, todos fizemos Curitiba ser modelo.

Bem, nós curitibanos ficamos viciados em ouvir todos falarem bem de Curitiba.

Mas a partir da virada do século, fiquei mais atento. As coisas deixaram de ser cor de rosa. Apareceram Florianópolis, Goiânia, Vitória e Campinas.

E Curitiba foi ficando feia, que Deus me perdoe, mas parece que até a natureza, a mãe natureza, conspirou contra nós. Os dias se tornaram mais cinzas, mais chuva, garoa, menos sol.

Claro, nós, curitibanos, passamos a ajudar as coisas: mais mortes por acidentes de ônibus, motos, assaltos, aumento das passagens.

Continuamos e até ampliamos nossa paixão pelo automóvel. Ninguém nos supera.Temos mais carros em Curitiba do que eleitores.

E como que de repente, palavras novas surgiram: operação tapa buraco, por exemplo.

Bem, Gente Querida, não é novidade tudo isto. Apenas uma entrada que faço para chegar no seguinte:

Na metade do mês passado, agosto, a imprensa divulgou um estudo feito pelo Instituto de Ciência e Tecnologia Observatório das Metrópoles. Com base no censo do IBGE de 2010, esta organização fez vários quadros comparativos, usou uma metodologia bem moderna.

E usando os números disponíveis, levantou a situação de mobilidade urbana (onde se tem o tempo gasto para ir de casa para o trabalho); serviços coletivos, onde avaliou a prestação de serviços tipo água, luz, coleta de lixo. E a infraestrutura, a famosa infraestrutura,   iluminação pública, calçada, meio fio, situação das ruas.

E aí, Gente Querida de Curitiba, está a Grande Curitiba, porque neste estudo pesquisaram 15 grandes Metrópoles.

Aí, descobrimos que nosso vício de morarmos em uma cidade famosa , de ser referência, não existe mais!

Campinas é a grande campeã em tudo. Depois, Floripa. E Curitiba surge junto com Goiânia e Porto Alegre. Mas isto no geral, por que em casos específicos tipo,  tempo para ir ao trabalho, ficamos em 6º. lugar.

É, não fiquei surpreso. Apenas vi que a realidade do dia a dia, virou um numero, um índice. E estes números não agradam!

O que fizemos com Curitiba?

O que fizemos com Ela, meu Deus?

Olhe, quando digo que não  é surpresa, é porque todos nós, no dia a dia deste século, percebemos que a cidade, que a região ficou pior.

Pedidos feitos aqui na Rádio Banda B, no gabinete na Assembleia, em encontros, nos programas, quando os ouvintes registram suas queixas, o que se nota?

E se sairmos por aí, andarmos de ônibus expresso, ligeirão, ligeirinho, frequentarmos terminal, o que constatamos?

Ah, claro que sabemos.

Bem, as ruas estão com buracos. Tem buraco com mais de 15 anos de aniversário.

Os terrenos baldios proliferam.

Você deve ter ido nestes 20 anos em algum banheiro de terminal. Qual sua opinião?

As estações tubo, que eram novas, bonitas, estão sujas, enferrujadas, gastas, riscadas, enfim, mais de 10, 15 anos.

As placas que indicam os nomes das ruas estão sujas, velha, letras pequenas. Ficamos velhos e cada vez elas ficam menores.

Se a gente tá numa esquina, de carro, olha pra cima e não vê placa sinalizando nada. E se existe, tá com falha no nome, velha, suja, gasta.

Faz muitos anos que não se muda isto.

Os bueiros estão fedidos, velhos, entupidos. São de mais de século.

As calçadas, meu Deus. Nem falo.

Os meios fios.

Têm mais cadeirantes, mais pessoas com deficiências. Como será que elas se viram?

Qualquer obra, de prédio, reforma, a construtora logo começa invadindo a calçada, o meio fio, quebra tudo. E qualquer hora um caminhão estaciona, descarrega, impede o transito, nem se fala do pedestre.

Aqueles caminhões mostrengos de valores, dos bancos, param onde querem, a qualquer hora.

Não há respeito. Afinal, por que não fazem isso de madrugada, de noite, em horários de menos fluxo?

E mais recentemente, estes imbecis dos pichadores, emporcalham a cidade.

Claro, devem ficar estimulados com a falta de limpeza, com o ar de velho, de gasto, mas não se justifica: são imbecis.

Gente Querida, Curitiba pede socorro!

O que nós fizemos, gente querida, com a nossa Curitiba?

O que fizemos com Ela?

Eu me incluo logo de cara. Sou um dos que tem culpa. Todos temos culpa.

Mas Curitiba pede socorro!

Ela quer voltar a ser bela, referência.

Ser bonita, mesmo que com chuva, garoa.

Precisamos de gestão, de choque. Do Prefeito, do Governador, nosso ex Prefeito.

Dos homens públicos. Dos empresários.

Dos trabalhadores.

De todos os cidadãos!

Curitiba pede socorro!

Então, vamos lá:

Participe de reuniões, de conselhos comunitários, de movimentos de amigos de rua, de bairros, discuta orçamento público, cobre, grite, xingue.

Mas pelo amor de Deus, gente querida, vamos socorrer Curitiba.

Ela está pedindo socorro!