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Tarifa em Curitiba passou a R$ 4,25 nesta segunda-feira – Foto: Banda B

Curitiba amanheceu nesta segunda-feira (6) com o título da capital brasileira com a passagem de ônibus mais cara do país. Na última sexta-feira (3), o prefeito Rafael Greca anunciou o aumento de R$ 3,70 para R$ 4,25. A passagem mais alta, até então, era a de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, com valor de R$ 4,05.

De acordo com a Prefeitura, o reajuste é necessário para recompor o equilíbrio econômico-financeiro do sistema de transporte público e permite a retomada de investimentos que tragam melhorias para os passageiros. “Com o reajuste da passagem será possível investir em melhorias, como mais estações para embarque e desembarque e renovação da frota de ônibus. Hoje, parte dos veículos circula com prazo de validade contratual vencido. Além da renovação da frota, será possível implantar o ônibus Ligeirão para atender a linha Santa Cândida-Capão Raso”, informa nota da administração municipal.

No comparativo nacional, aparece na sequência, com valor de R$ 3,90, Florianópolis, capital de Santa Catarina. As maiores cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro, congelaram a tarifa em 2017 com o valor de R$ 3,80.

O reajuste de 14,9% foi mais do que o dobro da inflação acumulada no período fiscal do setor, entre março a fevereiro, que deve ficar em torno de 6% segundo o INPC. Segundo a prefeitura, o reajuste é necessário para “recompor o equilíbrio econômico-financeiro do sistema de transporte público e permitir a retomada de investimentos que tragam melhorias para os passageiros”. Mas, para os usuários, a revolta é geral.

“Há muito tempo que estamos sendo feito de bobos por esses políticos. Eles usam e abusam da gente na eleição e na hora que a próxima eleição está longe dão um aumento desse. Até quando vão deixar fazer isso com a gente?, disse a diarista Magda Almeida, que pega dois ônibus por dia para trabalhar.

A auxiliar de limpeza Solange do Amaral, que mora no Bairro Alto e trabalha no bairro Seminário também estava revoltada hoje de manhã. “Fiz as contas e vou gastar muito mais por mês. Mas não tem jeito, tem que trabalhar né”, afirmou.

A professora Bernadete Xavier diz que está se sentindo enganada. “Absurdo. Tudo bem que aumentasse, mas nem tanto. Agora Rafael Greca já está na prefeitura, né? Infelizmente é assim mesmo”,  afirmou.

Em nota, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) informou que a elevação da tarifa social para R$ 4,25 não altera a remuneração das empresas, que continuam recebendo R$ 3,66 por passageiro pagante. A data-base para o reajuste da tarifa técnica é 26 de fevereiro, quando será definida a tarifa técnica.

Terminal do Campina do Siqueira na manhã desta segunda-feira – Foto: Banda B

Circular Centro e Linha Turismo

Também a partir desta segunda-feira, a passagem do Circular Centro passa a custar R$ 3,00 e a Linha Turismo, R$ 45,00. Aos domingos, o valor da passagem será o mesmo praticado nos dias úteis.

“A decisão foi técnica e não demagógica para evitar a continuidade do sucateamento do transporte público”, disse o presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), José Antonio Andreguetto. “A tarifa hoje não cobre os custos do sistema e isso provocou transtornos aos passageiros, que sofriam com as constantes paralisações de motoristas e cobradores em função do atraso nos repasses financeiros pelas empresas.”

Além disso, disse Andreguetto, boa parte da frota de ônibus está vencida. “Os investimentos precisam urgentemente ser retomados”, finalizou.

Ligeirão

Além da renovação da frota, será implantado o ônibus Ligeirão na linha Santa Cândida-Capão Raso. “Não vamos resolver em um mês os problemas dos últimos quatro anos, mas precisamos urgentemente retomar o equilíbrio econômico-financeiro, melhorando o sistema com ampliações de linhas, ônibus novos e outras medidas. São investimentos necessários para devolver a Curitiba a qualidade e a referência em transporte público”, disse Andreguetto.

Para o ligeirão atender a linha Santa Cândida-Capão Raso serão comprados 24 novos ônibus biarticulados, com capacidade para 250 passageiros em cada veículo. Os Ligeirões ajudarão a desafogar o eixo mais congestionado da capital. “É uma determinação do prefeito Rafael Greca melhorar o transporte coletivo em todas as frentes, começando pela implantação, neste ano, do ligeirão no eixo Norte-Sul, num trecho ainda maior do que o previsto anteriormente”, disse Andreguetto.

Reintegração

De acordo com a prefeitura, até julho, a Urbs e a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) pretendem reintegrar outras linhas que foram interrompidas ou mudadas depois da desintegração do Sistema Metropolitano de Transporte.

A primeira linha retomada foi a Colombo-CIC, em janeiro. Estão em estudos a entrada da linha Araucária dentro do terminal CIC e a Boqueirão-São José dos Pinhais.

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